De acordo com o Banco Central, o pico da série histórica foi em dezembro de 2020 quando a dívida atingiu 87,6% do PIBMarcello Casal Jr / Agência Brasil

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) aumentou de 82,6% em julho para 82,9% em agosto, informou ontem o Banco Central. Em valores nominais, passou de R$ 10,947 trilhões para R$ 11,055 trilhões.
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O pico da série foi em dezembro de 2020 (87,6%), devido às medidas fiscais do início da pandemia de covid-19. No nível mais baixo, em dezembro de 2013, a dívida bruta chegou a 51,5% do PIB

A DBGG - que abrange o governo federal, os governos estaduais e municipais, excluindo o BC e as empresas estatais - é uma das referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. Na prática, quanto maior a dívida, maior o risco de calote por parte do Brasil.

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) - que leva em conta as reservas internacionais do Brasil - aumentou de 69,1% do PIB em julho para 69,3% em agosto. Em reais, atingiu R$ 9,241 trilhões

O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 10,012 bilhões em agosto, após superávit de R$ 1,361 bilhão em julho. Em agosto de 2025, o resultado foi deficitário em R$ 17,255 bilhões.

O déficit do mês passado ficou inferior a todas as expectativas na pesquisa do Projeções Broadcast, que iam de -R$ 11,0 bilhões a -R$ 18,2 bilhões, com mediana negativa de R$ 14,6 bilhões. O resultado foi o menor déficit para o mês desde 2021, quando houve superávit de R$ 16,728 bilhões.

Em agosto de 2026, o governo central (Tesouro Nacional, BC e INSS) teve déficit primário de R$ 14,687 bilhões, segundo a metodologia da autoridade monetária. Estados e municípios tiveram resultado positivo de R$ 2,688 bilhões, enquanto as empresas estatais tiveram superávit de R$ 1,987 bilhão.

No acumulado de janeiro a agosto , o setor público consolidado tem déficit primário de R$ 88,847 bilhões, ou 0,99% do PIB. O resultado reflete um déficit primário de R$ 97,087 bilhões nas contas do governo central, o equivalente a 1,08% do PIB, ante um superávit de R$ 16,247 bilhões nos governos regionais (0,18% do PIB).

Previsão

Ainda que o déficit nominal das contas públicas deva melhorar marginalmente nos últimos quatro meses do ano, o Bradesco avalia que o indicador se manterá em patamar elevado, o que sustentará a trajetória de aumento da dívida pública.

Em relatório publicado ontem, o departamento econômico do banco projeta que a Dívida Bruta do Governo Geral vai crescer cerca de 5 pontos porcentuais como proporção do PIB até o final do ano, terminando 2026 em 83,6%.

"O resultado nominal de agosto segue pressionado pelo pagamento de juros, que se reflete na alta da dívida", diz o relatório. Para o banco, a tendência é ligeira melhora no último quadrimestre do ano, favorecida pelo avanço do resultado primário e pelo ciclo de queda da taxa de juros. "Ainda assim, o pagamento de juros manterá o déficit nominal em patamar alto, sustentando a trajetória ascendente da dívida pública", afirma o relatório.