Samir Xaud é o presidente da CBFRafael Ribeiro / CBF
Xaud vê importância da CBF na criação de liga: 'Entraria como mediadora, como parceira'
O presidente da entidade também destacou a importância do fair play financeiro para evitar endividamento e 'doping financeiro'
Rio - O presidente da CBF, Samir Xaud, abordou as mudanças que propôs na entidade. Em três meses de mandato, ele destacou que busca ajudar os clubes na formação de uma Liga e na criação de um Fair Play financeiro para evitar as disparidades econômicas. Em entrevista ao portal "ge", o dirigente também comentou sobre a profissionalização da arbitragem.
"Acredito que a liga seria importante, mas uma liga criada dentro da CBF, com a participação dos clubes. Eles até hoje não conseguiram criar a liga por terem pensamentos distintos. A CBF entraria como mediadora, como parceira. A CBF é a responsável pelo futebol brasileiro perante Conmebol e Fifa. Por isso a gente acredita que essa liga tem que partir de dentro da CBF. Trazendo as federações em conjunto, sem deixar de falar da importância delas para os clubes" disse Samir Xaud.
"A gestão poderia ser dos clubes em relação a alguns pontos, em outros (a gestão seria) da CBF. Esse diálogo já está acontecendo", completou.
Perguntado sobre a disparidade financeira entre os clubes, o presidente abordou o esforço da entidade em elaborar e implementar o mais rápido possível um Fair Play Financeiro. Tendo como inspirações os modelos vigentes na Europa, Xaud afirmou que o objetivo é evitar o endividamento e o "doping financeiro" de alguns clubes do futebol brasileiro.
"O primeiro encontro foi mais para escutar os nossos players de fora, o pessoal da Europa que veio mostrar modelos que funcionam mundo afora. Mas essas discussões mais específicas ainda não entraram em pauta. Nós queremos criar um modelo de futebol autossustentável. Um futebol que você não tenha teto de receita, mas tenha teto de gastos. Você só vai gastar o que você arrecada. Evitar um endividamento dos clubes, evitar que haja o "doping financeiro" de alguns clubes" disse.
Apesar dos esforços e sabendo da importância da implementação da medida, o dirigente não quis determinar uma data, nem uma linha específica sobre o funcionamento do Fair Play.
"Eu não posso falar data, até porque na Europa passaram dez anos até achar o melhor modelo para implementar. Mas, com esses modelos que já existem mundo afora, a gente sabe o que funciona, o que não funciona", afirmou.
Questionado sobre a profissionalização da arbitragem brasileira, Samir Xaud disse que não há nada definido sobre a formação de profissionais. De acordo com ele, a CBF vem investindo em melhorias em treinamentos e em uma educação continuada para os juízes.
"A CBF tem investido muito na melhoria. Acho que o processo de profissionalização requer estudo, requer tempo de construção em relação a isso, mas que, possivelmente, é um caminho. A CBF tem que ter o pé no chão, conversar bastante, montar um programa, para depois tratar de profissionalização", argumentou.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.