Publicado 17/04/2026 20:25
Rio - Lenda do basquete, Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos. O Mão Santa foi símbolo de uma geração e deixou um legado com muitos recordes e conquistas marcantes, como a histórica medalha de ouro contra os Estados Unidos, nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Em entrevista ao DIA, o jornalista Ricardo Bulgarelli destacou a importância do ex-jogador para o esporte e lamentou a perda de um ícone.
Publicidade "Um dia muito triste para o basquete brasileiro. Perdemos uma referência, um cara que até pouco tempo atrás era o maior cestinha da história, mas deixa um legado gigantesco em relação à juventude. Muita gente começa a acompanhar basquete por conta do Oscar Schmidt e aquele resultado espetacular na final do Pan-Americano de 1987 em Indianápolis. Inesquecível", disse Ricardo Bulgarelli.
Ricardo Bulgarelli, de 54 anos, é a voz da NBA no Brasil. O comentarista, que já trabalhou na ESPN Brasil e atualmente está no Amazon Prime Vídeo, trabalhou com Oscar Schmidt na TV Record, quando ele foi comentarista nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. O jornalista relembrou a atuação histórica do Mão Santa ao lado de Marcel, outro ícone do basquete brasileiro, que provocaram os americanos e foram determinantes para uma virada histórica.
"Ele e o Marcel tiveram um aproveitamento surreal na bola tripla, que praticamente não existia e não era utilizada como é hoje no basquete moderno. Eles colocaram a seleção americana contra a parede. O Oscar sempre contou essa história que provocaram os americanos. Eles não estavam acostumados a chutar tantas bolas de três. Já o Oscar e o Marcel tinham essa característica e tinham muita qualidade", contou.
Na época, o feito do Brasil marcou a primeira derrota dos Estados Unidos em casa na história da competição. Oscar Schmidt anotou 46 pontos, sendo 35 no segundo tempo, para conduzir a seleção brasileira à vitória por 120 a 115. Na decisão contra os americanos, o Mão Santa acertou sete cestas de três pontos em 15 tentativas, mais do que a seleção americana que converteu três.
"O Oscar era capaz de fazer 30, 40 ou 50 pontos, como fez 55 num jogo contra a Espanha na Olimpíada de Seul em 1988, que é a maior marca até hoje. Fez mais de mil pontos em Olimpíadas. O Oscar se aposenta da Seleção na Olimpíada de Atlanta em 1996 e, depois, o Brasil sequer consegue ir para Sydney em 2000, Atenas em 2004 e Pequim em 2008. Só retorna a um Jogos Olímpicos em Londres em 2012. O Brasil ficou carente de um novo Oscar Schmidt. Todo mundo queria ser ele. Vai fazer muita falta", finalizou.
Oscar Schmidt foi detentor do recorde de maior pontuador da história do basquete, com 49.703 pontos, até 2024, quando foi superado por LeBron James. Além disso, possui o recorde de mais pontos na história dos Jogos Olímpicos, com 1.093. Ele também é responsável por anotar a maior pontuação de uma partida em Olimpíadas (55 pontos contra a Espanha).
Durante a carreira, Oscar Schmidt defendeu clubes como Palmeiras, Sírio, Corinthians e Flamengo, onde ele se aposentou do basquete, em 2003. Ele conquistou títulos como o Campeonato Brasileiro com Alviverde em 1977 e com o Timão em 1996, além do Mundial com o Sírio em 1979 e o Campeonato Carioca com o Rubro-Negro em 1999 e 2002.
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