José Boto dá entrevista coletiva na chegada do Flamengo a Porto AlegreReprodução / Flamengo TV
Publicado 08/05/2026 17:18
Porto Alegre - Após episódio de tensão na partida entre Flamengo e Independiente Medellín (COL), cancelada logo no começo por questões de segurança ligadas à torcida local, o dirigente rubro-negro José Boto revelou bastidores do elenco em meio ao caos instaurado no Estadio Atanasio Girardot e expôs a sugestão do presidente da equipe adversária para a retomada do jogo.
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Nesta sexta-feira (8), em entrevista coletiva na chegada da delegação a Porto Alegre, onde o Mais Querido enfrenta o Grêmio, Boto comentou os incidentes e relatou uma invasão em Medellín. Na declaração, ainda confessou o receio de que algum acidente acontecesse com os jogadores e a comissão técnica, mesmo afirmando que os torcedores adversários não protestavam contra os flamenguistas em si.
"Eles nada tinham contra o Flamengo, mas estávamos no meio. Eles começaram a arremessar sinalizadores, pedras, ferros... Não havia nenhuma condição de segurança. Não sabíamos se tinham uma arma, uma faca. Nos sentimos um pouco ameaçados", disse.
"Os torcedores conseguiram entrar no túnel do vestiário. São coisas que não são agradáveis. Muita polícia, choque, como vocês chamam aqui, com armas, disparando não sei bem para onde. Não foi uma situação agradável para os jogadores e nem para nós", completou o português.

Qual foi a sugestão do Medellín?

Em seguida, o diretor de futebol abriu o jogo sobre o diálogo com o presidente do Independiente Medellín e um integrante do Governo local, nas tratativas em relação ao que seria feito da partida. Boto deixou claro que a sugestão dos colombianos tornaria o cenário ainda pior. 
"Nunca dissemos a ninguém que não queríamos jogar. Nós queríamos jogar, mas em segurança. O presidente do clube queria evacuar o estádio e depois começar a jogar. Eu disse a ele que, quando as pessoas vissem na televisão que estava tendo jogo, seria pior, que voltariam mais raivosas e revoltadas", relatou. 
"Mas era essa a insistência que ele tinha, junto com alguém do Governo local, que queriam à força que o jogo acontecesse. Não havia condições. O próprio presidente, passado algum tempo, veio dizer que a gente tinha razão", expôs José Boto.

Boto volta a cobrar os três pontos

Na sequência, o dirigente rubro-negro cobrou mais uma vez a Conmebol pelo W.O. e consequentemente os três pontos para o Flamengo na tabela da Libertadores, resultado que garantiria a classificação para a próxima fase da competição.
"Agora eles (Conmebol) abriram expediente, que vai ser analisado pelo departamento jurídico. Na minha opinião, não tem outra solução a não ser nos dar os três pontos. Nós entramos em campo lá para isso, gostaríamos de assegurar a classificação em campo. Temos quase certeza que vamos ter (a vitória por W.O.), não há outra decisão que a Conmebol possa tomar", declarou.
"Até porque há uma jurisprudência sobre isso em jogos do ano passado. É óbvio que nos dá um certo alívio para os próximos jogos, dá a possibilidade do treinador se ele quiser gerir melhor o elenco. Fica o primeiro objetivo dessa parte da temporada conquistado", finalizou.

Por que não jogar em outra data?

Por fim, ao ser questionado sobre a possibilidade do adiamento do jogo para outro dia, José Boto não escondeu a sinceridade ao tratar o cenário como inviável. O dirigente português adicionou, inclusive, que esta hipótese nunca foi considerada.
"Dissemos lá que não era possível (ficar na Colômbia) por conta do calendário. Era impossível jogarmos hoje e depois no domingo contra o Grêmio. Há muita coisa quase impossível na América do Sul, mas essa aí era completamente impossível. Esse cenário nunca foi colocado. O cenário que foi colocado era o jogo acontecer um pouco mais tarde, já sem torcedores. Mas, como já disse, seria pior", concluiu.
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