Sindipetro-NF convoca a categoria para decidir sobre paralisação nacional de dois dias e reforça a necessidade de unidade nas assembleias Foto: Reprodução

Macaé - O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) deu início, na quarta-feira, 14, à convocação oficial da categoria para a realização de assembleias decisivas entre os dias 16 e 29 de maio. A proposta, aprovada pela Diretoria Colegiada, segue o indicativo do Conselho Deliberativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e tem como foco a deliberação sobre uma greve nacional de 48 horas.
A possível paralisação amplia a mobilização iniciada em março, quando os petroleiros cruzaram os braços por 24 horas diante da resistência da Petrobras em negociar pontos fundamentais para a categoria. A tensão entre empresa e trabalhadores se agravou após impasses em reuniões sobre o modelo de teletrabalho e a remuneração variável.
Durante as assembleias, que ocorrerão tanto nas plataformas quanto nas bases de terra, dois temas centrais estarão em pauta: a adesão à greve e a escolha de delegados para o Congresso Regional dos Petroleiros (Congrenf). Os petroleiros deverão imprimir duas listas de presença distintas para cada votação.
Entre os temas que motivam a mobilização estão a cobrança por tratamento justo na distribuição de dividendos, que impactam diretamente a remuneração dos trabalhadores, a defesa do teletrabalho com regras claras e negociadas, o fim da política de redução da remuneração variável, a necessidade urgente de recomposição dos efetivos e maior segurança nas unidades operacionais — especialmente durante paradas técnicas e manutenções da FAFEN-PR.
Também estão na pauta o fim do equacionamento da Petros, a construção de um plano de cargos e salários mais justo e a valorização dos trabalhadores da RSR. Para o Sindipetro-NF, esses pontos refletem uma insatisfação generalizada com a condução da gestão da empresa.
Outro aspecto que acirra a indignação é a redução no pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), ao passo que a Petrobras distribui dividendos 207% acima do lucro líquido aos acionistas. O sindicato destaca esse contraste como sinal claro de negligência com quem mantém a empresa operando todos os dias.
A diretoria do Sindipetro-NF faz um chamado direto à base: “É fundamental que os petroleiros e petroleiras participem ativamente das assembleias. A força da nossa categoria está na união. Só com mobilização e pressão organizada conseguimos abrir caminhos para conquistar nossos direitos e assegurar condições dignas de trabalho.”
A mobilização nacional ganha corpo em um momento crucial, e o alerta está dado: a luta não é apenas por benefícios, mas por respeito, segurança e justiça no ambiente de trabalho.