Auditório Cláudio Ulpiano receberá palestrantes, profissionais da rede e estudantes surdos em um encontro marcado por histórias, reflexões e novos caminhosFoto: Douglas Smmithy

Macaé - Macaé coloca a educação inclusiva no centro das atenções ao promover o I Seminário de Educação Bilíngue de Surdos, no próximo dia 27, às 9h, na Cidade Universitária. O encontro marca os 20 anos do Decreto 5626 de 2005, legislação que mudou a vida de milhares de brasileiros ao garantir aos surdos o direito ao acesso à comunicação e ao ensino bilíngue em todas as etapas escolares. A proposta é revisitar essa trajetória, celebrar conquistas e discutir o que ainda precisa avançar.
O seminário, gratuito e aberto ao público, receberá professores, gestores, pedagogos, estudantes e famílias, além da comunidade surda da região. As inscrições serão feitas no local, até 9h30, por meio do formulário disponível com tradução em Libras. Haverá certificação para os participantes.
A coordenadora de Diversidade e Inclusão, Maria Nelita Araujo, lembra que a história da educação de surdos em Macaé passou por transformações profundas. Ela destaca que o município percorreu um longo caminho, desde o antigo modelo de escola especial até as atuais práticas inclusivas adotadas na rede. Para Nelita, homenagear os 20 anos da legislação é valorizar lutas, reconhecer esforços e reforçar o compromisso com um ensino que respeita identidades e necessidades reais.
O coordenador de Educação Bilíngue de Surdos, Wellington Marques, explica que o seminário vai aprofundar debates sobre metodologias, estratégias e materiais adequados para o ensino de surdos. O foco é discutir o uso da Língua Portuguesa como segunda língua e analisar como esse processo pode ser aperfeiçoado. Segundo ele, depoimentos de ex-alunos da rede e do IFF vão mostrar, na prática, como o ensino bilíngue transforma trajetórias e abre oportunidades.
Um dos pontos altos será a apresentação dos tópicos que compõem uma minuta de projeto de lei que pretende fortalecer e regulamentar a educação bilíngue no município. Para Wellington, esse é um passo essencial para garantir políticas duradouras e alinhadas às necessidades da comunidade surda.
A programação contará com mesas temáticas, palestras e compartilhamento de experiências. Entre os participantes estão tradutores e intérpretes de Libras, professores, pesquisadores, representantes do IFF, da UFRJ e do Centro de Surdos de Macaé. O encontro tem apoio institucional do Núcleo de Educação Bilíngue de Surdos, do IFF, da Comissão Permanente Acessível e Inclusiva da UFRJ e do CFCG.
O evento será realizado no Auditório Cláudio Ulpiano, na Cidade Universitária, com uma programação que se estende até as 16h, incluindo debates sobre alfabetização, ensino de Libras como primeira língua, desafios da Língua Portuguesa como segunda língua e relatos de experiências educativas vividas na rede.