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Opositor pede que comunidade internacional intervenha na Venezuela

O país sofre uma aguda escassez de produtos básicos, sobretudo de remédios e alimentos

Por O Dia

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro -

Genebra - O ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma fez nesta terça-feira, em Genebra, um pedido à comunidade internacional para usar o princípio da intervenção em seu país, mergulhado em uma crise.

Em uma entrevista realizada durante a Conferência de Direitos Humanos em Genebra, Ledezma disse que quando "um regime aplica medidas repressivas maciças e sistemáticas, o princípio de autodeterminação dos povos deve dar preeminência ao princípio de intervenção humanitária".

Considerado pelas autoridades venezuelanas como um dos opositores mais radicais, Ledezma fugiu em novembro de 2017 da prisão domiciliar que cumpria desde o início de 2015 e se asilou na Espanha, onde o governo de Mariano Rajoy é um dos mais críticos de Caracas.

"A Venezuela precisa que a comunidade internacional para de desenvolver uma diplomacia contemplativa e exerça uma diplomacia efetiva para libertar os venezuelanos sequestrados pela narcotirania", afirmou Ledezma.

Nas últimas semanas, Ledezma realizou várias viagens - Lima, Santiago, Buenos Aires - para pedir medidas contra a Venezuela, seguindo o exemplo da União Europeia e Estados Unidos.

Após a dura crise econômica e política atravessada pelo país, Ledezma considerou que "o que resta é pedir a ajuda da comunidade internacional, que seja aplicado na Venezuela um Plano Colômbia como ocorreu quando Pablo Escobar e os narcotraficantes queriam tomar o poder", disse.

Depois de se referir ao plano de paz lançado por Colômbia e Estados Unidos em 1999 pelos ex-presidentes Andrés Pastrana e Bill Clinton, afirmou que na Venezuela a situação é mais grave que a colombiana naquela época. No país petroleiro "os narcotraficantes têm o poder, portanto se justifica uma intervenção humanitária no âmbito desse Plano Venezuela que estou propondo à comunidade internacional", afirmou.

Respostas 

Ledezma foi enfático sobre o papel dos organismos internacionais na crise sofrida pelo país. "A ONU não pode estar pintada na parede. Não pode ser um fórum onde são feitos exercícios retóricos enquanto as pessoas morrem de fome, enquanto as pessoas são assassinadas por um regime que persegue, que pune a dissidência", declarou.

O país sofre uma aguda escassez de produtos básicos, sobretudo de remédios e alimentos, e uma inédita escalada inflacionária que, segundo a estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), atingirá em 2018 13.000%. 

As declarações feitas em Genebra são em um momento em que a oposição venezuelana está dividida sobre sua eventual participação nas presidenciais de 22 de abril, que se inclina a ficar de fora ao considerar ilegítima uma possível reeleição de Nicolás Maduro.

O opositor acredita que participar das eleições seja "um suicídio"

"Essas não são eleições, são armadilhas e seria absurdo que a oposição democrática que representa a imensa maioria dos venezuelanos, que quer uma mudança verdadeira no país, se prestasse a lavar o rosto de um regime que está manchado de frequentes eleições fraudulentas", lançou.

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