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Começa julgamento de brasileiro que matou quatro parentes na Espanha

Patrick Nogueira confessou o assassinato do tio materno, sua esposa e dos filhos do casal, de 1 e 3 anos, mas alega que não recorda dos detalhes

Por AFP

Patrick fotografou os cadáveres e confessou o crime, cometido em 2016
Patrick fotografou os cadáveres e confessou o crime, cometido em 2016 -

Guadalajara - Começou nesta quarta-feira o julgamento do "esquartejador de Pioz" na cidade espanhola de Guadalajara, na Espanha. Um jovem brasileiro é acusado de matar dois tios e dois primos em agosto de 2016. A Promotoria pede pena de prisão perpétua com possibilidade de revisão.

Assassino confesso, François Patrick Nogueira Gouveia permaneceu calado durante a leitura das acusações, no primeiro dia do julgamento na Audiência Provincial de Guadalajara, que fica 60 km ao leste de Madri.

Algemado, o jovem de 21 anos (19 no momento dos crimes), deve prestar depoimento durante a tarde desta quarta-feira. O processo deve durar uma semana.

Ele confessou o assassinato do tio materno, sua esposa e dos filhos do casal, de 1 e 3 anos, mas alega que não recorda dos detalhes. A grande dúvida do processo é se ele será condenado à pena máxima prevista no código penal espanhol, a prisão permanente com possibilidade de revisão.

Solicitada pela Promotoria, esta pena é uma condenação perpétua que pode ser revista após o cumprimento de 25 anos de prisão. Desde que entrou em vigor em 2015, a sentença foi determinada em poucos julgamentos.

Defesa alega transtorno mental 

A defesa busca uma pena inferior alegando um "transtorno mental transitório" de Patrick Nogueira e o atenuante de ter confessado os crimes, que aconteceram em 17 de agosto de 2016.

Ele chegou à casa dos tios em Pioz, cidade próxima de Guadalajara, armado com uma faca afiada, sacolas plásticas e fita de vedação.

Ele compareceu à residência com pizzas para não levantar suspeitas. Depois que seus tios o receberam na Espanha em março de 2016 para tentar uma carreira como jogador de futebol, a relação ficou tensa.

Depois de comer as pizzas, matou a tia, Janaína Santos Américo (39 anos), e depois os dois filhos do casa, uma menina de 3 anos e um menino de 1 ano. Aguardou por algumas horas a chegada do tio materno Marcos Campos (40 anos) e também o assassinou com várias facadas no pescoço.

O assassino esquartejou os adultos e colocou todos os corpos em sacolas plásticas. Depois limpou a casa, se limpou e esperou para pegar o ônibus de volta na manhã seguinte, de acordo com os documentos judiciais.

Enquanto cometia os crimes, Nogueira enviou mensagens por WhatsApp, incluindo fotografias dos corpos e piadas, para um amigo no estado da Paraíba, Marvin Henriques, que foi detido posteriormente como cúmplice.

Os corpos foram encontrados um mês depois, graças a um funcionário da manutenção que alertou para o odor procedente da residência.

Nogueira fugiu em 20 de setembro para João Pessoa. Mas no dia 19 de outubro retornou a Espanha para entregar-se voluntariamente, convencido por sua família de que era melhor ser condenado na Espanha que no Brasil.

Acusação rejeita "prêmio"

Em sua declaração inicial, a promotora Rocío Rojo rejeitou os atenuantes citados pela defesa e afirmou que "do ponto de vista mental Nogueira não tem nenhuma enfermidade".

Ela recordou que um exame psicológico o descreveu como um psicopata, manipulador, egocêntrico e sem empatia, mas consciente de suas ações.

Nogueira planejou "friamente" os assassinatos, tentou ocultá-los limpando a cena do crime e buscou "despistar" as autoridades, afirmou a promotora. "É uma pessoa saudável que não pode ter um prêmio com uma redução da condenação", concluiu.

No Brasil em 2013, Nogueira esfaqueou um professor e passou seis meses em tratamento psiquiátrico.

Nogueira será julgado por um júri de nove pessoas, selecionadas nesta quarta-feira. Durante o processo serão ouvidas mais de 30 testemunhas (algumas delas por videoconferência do Brasil) e quase 20 agentes policiais e peritos.

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