Decretada prisão preventiva de assessor de Keiko Fujimori por caso Odebrecht

Ele atou como secretário geral do partido fujimorista na campanha para vice presidência do Peru em 2011

Por AFP

Assessor Jaime Yoshiyama foi acusado de lavagem de dinheiro em contribuição ilegal feita pela empreiteira Odebrecht
Assessor Jaime Yoshiyama foi acusado de lavagem de dinheiro em contribuição ilegal feita pela empreiteira Odebrecht -

Peru - Um juiz peruano decretou neste sábado, a prisão preventiva de 36 meses e ordem de captura internacional para o empresário fujimorista Jaime Yoshiyama, acusado juntamente com a líder opositora Keiko Fujimori de lavagem de dinheiro por contribuições ilegais de campanha feitas pela empreiteira brasileira Odebrecht.

Yoshiyama atuou como secretário-geral do partido fujimorista na campanha presidencial de Keiko Fujimori em 2011, na qual disputou a vice-presidência do Peru.

Além de Yoshiyama, que se recupera em Miami (Flórida, EUA), de uma cirurgia oftalmológica, segundo seu advogado, o juiz Richard Concepción Carhuancho determinou o impedimento de saúda do país por 36 meses de Augusto Bedoya. O empresário integrou o comando de campanha e foi do círculo de confiança de Keiko nas eleições presidenciais.

A decisão do magistrado contra os dois investigados ocorreu passada a meia-noite e encerrou uma audiência de prisão preventiva iniciada em 24 de outubro.

"A prisão preventiva se torna indispensável para conjurar o risco no processo, conforme evidenciado na conduta de Yoshiyama de eludir a Justiça", declarou o juiz Concepción Carhuancho, ressaltando a presença do investigado nos Estados Unidos.

No caso de Bedoya, o juiz declarou infundado o pedido de prisão preventiva a determinou medidas cautelares.

A promotoria acusa 11 pessoas da cúpula do partido fujimorista Força 2011 (agora Força Popular), de formar "uma organização criminosa" dentro da formação para captar recursos ilícitos destinados a financiar a campanha presidencial de Keiko.

A Odebrecht, segundo declaração de seu diretor no Peru, Jorge Barata, financiou com 1,2 milhão de dólares a campanha de Keiko, fiha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000).

O promotor de lavagem de dinheiro, José Domingo Pérez, sustenta que Yoshiyama e Bedoya receberam cada um meio milhão de dólares para a campanha. Os demais 200.000 dólares, a Odebrecht destinou a um fundo comum de empresários que apoiavam Keiko.

Após esta medida judicial, sete dos 11 investigados acabaram em prisão preventiva, a começar por Keiko Fujimori, que está detida desde 31 de outubro passado.

A pedido do promotor Pérez, outro tribunal proibiu há uma semana que o ex-presidente Alan García (1985-1990 e 2006-2011) deixe o país durante 18 meses, ao ampliar as investigações do caso Odebrecht, após o que o ex-presidente entrou na embaixada do Uruguai em Lima e pediu asilo político.

O Peru é um dos países da região mais afetados pelo escândalo de corrupção da Odebrecht. A empresa admitiu ter pago propinas a autoridades peruanas na ordem de pelo menos 29 milhões de dólares a partir de 2004.

Também são investigados pela Justiça peruana no caso Odebrecht os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kczynski (2016-2018). 

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