Advogado de neonazista de Charlottesville diz que cliente estava 'morrendo de medo'

O julgamento contra James Alex Fields começou na segunda-feira

Por AFP

Carro que atropelou manifestantes durante protesto em Charlottesville, em 2017
Carro que atropelou manifestantes durante protesto em Charlottesville, em 2017 -

Washington - O advogado do neonazista americano acusado de atropelar manifestantes contrários a um comício de supremacistas brancos, no ano passado, em Charlottesville, nos Estados Unidos, declarou nesta quinta-feira durante julgamento que seu cliente estava "morrendo de medo".

O julgamento contra James Alex Fields começou na segunda-feira. O homem é acusado de lançar seu carro contra a multidão de ativistas que protestavam contra o comício "Unir a direita", em 12 de agosto de 2017, provocando a morte de Heather Heyer, de 32 anos. Os advogados de ambas as partes disseram que, embora os dados básicos do caso não gerem dúvidas, a questão-chave é qual foi a intenção de Fields e qual era seu estado de ânimo no momento do incidente.

"Não vai haver nenhuma discussão sobre muitos dos fatos", assinalou ao júri a advogada da Promotoria Nina Antony. "Isto se trata de quais eram as suas intenções", acrescentou, detalhando que serão apresentadas provas sobre as suas ações antes, durante e depois do incidente. Na mesma linha, o advogado de defesa John Hill disse que "isto não é um caso de polícia. Aqui não se trata de averiguar quem estava nesse carro".

Ao contrário, Hill descreveu um cenário de caos no dia dos incidentes no qual "explodiram as brigas" entre os manifestantes a favor e contra, alguns dos quais estavam fortemente armados. Depois que Fields foi detido, expressou seu arrependimento por suas ações e declarou à polícia que "temia por sua segurança e que estava morrendo de medo", afirmou Hill.

Entretanto, a Promotoria argumentou que há uma montanha de provas explícitas que mostram que Fields agiu de forma premeditada. "Olhem para o que ele fez naquele dia. Ouçam as palavras que ele diz. Olhem para as expressões faciais que ele faz. O que essas coisas dizem? Quais eram as opções que ele tinha e as decisões que tomou?", afirmou a acusação.

"Não haviam ninguém ao redor do carro. Não havia ninguém atrás do carro", acrescentou a promotora, que citou duas imagens de Fields publicadas no Instagram em maio de 2017.

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