Donald Trump confirma que retirada dos EUA da Síria será lenta

As declarações de Trump são feitas depois que um de seus correligionários mais próximos, o senador republicano Lindsey Graham, para quem a retirada é um erro, disse no domingo que ficou satisfeito após se reunir com o presidente

Por AFP

Donald Trump e a primeira dama, Melania Trump cumprimentando os militares durante a visita surpresa a base militar de  Al Asad, no Iraque
Donald Trump e a primeira dama, Melania Trump cumprimentando os militares durante a visita surpresa a base militar de Al Asad, no Iraque -

Washington - O presidente americano confirmou que a retirada das tropas dos Estados Unidos da Síria será "lenta", e destacou que as conquistas na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI) justificam sua decisão militar.

"O EI já quase não existe, vamos enviando as tropas para casa com suas famílias, mas, ao mesmo tempo, vamos continuar combatendo o que resta do EI", escreveu Donald Trump no Twitter, após o anúncio de que os Estados Unidos irão retirar cerca de 2.000 soldados que estavam mobilizados no norte da Síria.

A maioria dos efetivos constitui forças especiais para combater o EI e para treinar as forças locais que enfrentam o EI.

As declarações de Trump são feitas depois que um de seus correligionários mais próximos, o senador republicano Lindsey Graham, para quem a retirada é um erro, disse no domingo que ficou satisfeito após se reunir com o presidente.

"O presidente entende a necessidade de acabar o trabalho", afirmou Graham. "Ele me disse coisas que eu não sabia e que me fazem sentir bem melhor sobre para onde estamos indo na Síria", explicou o legislador da Carolina do Sul.

"Acho que o presidente está comprometido em deixar a Síria quando o EI estiver completamente derrotado, e já estamos na reta final", assegurou. Trump defendeu a sua decisão nesta segunda-feira.

"Se qualquer um que não fosse eu tivesse feito o que fiz na Síria, que era um caos controlado pelo EI, essa pessoas seria um herói nacional", indicou Trump. Na semana passada, o presidente americano já havia assinalado que falou com seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, que a retirada das tropas será "lenta e extremamente coordenada".

Oficiais militares americanos de alto escalão alertaram contra uma retirada precipitada que deixaria o caminho aberto na Síria para os aliados do regime de Bashar al-Assad, a saber, a Rússia, o grande rival dos Estados Unidos, e o Irã, o grande inimigo da administração Trump.

Em desacordo com o presidente sobre esta questão, seu secretário da Defesa, Jim Mattis, e o enviado americano para a coalizão antijihadista internacional, Brett McGurk, renunciaram a seus cargos. Jim Mattis, cujo último dia no Pentágono é nesta segunda-feira, enviou uma mensagem às tropas americanas pedindo para que "aguentem firme".

"Agora que estou começando a me retirar, a mídia Fake News, ou generais fracassados que não conseguiram fazer o trabalho antes de eu chegar, adoram reclamar de mim e de minhas táticas", comentou Trump ainda no Twitter.

Patrick Shanahan substituirá Mattis neste 1º de janeiro de 2019. Durante o fim de semana, Rússia e Turquia concordaram em "coordenar" a situação para preencher o vazio deixado pela partida americana.

A decisão de Donald Trump mudou as linhas de condução de um conflito cuja complexidade tem crescido constantemente desde 2011. O conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, anunciou na semana passada que visitará Turquia e Israel em janeiro para discutir a retirada americana.

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