Papa Francisco faz alerta sobre os perigos do nacionalismo

Pontífice demonstrou preocupação com imposição de ideologias e falta de diálogo

Por O Dia

Pontífice recebeu membros da diplomacia em encontro de ano novo
Pontífice recebeu membros da diplomacia em encontro de ano novo -

Cidade do Vaticano - O papa Francisco recebeu, nesta segunda-feira, membros do corpo diplomático credenciados à Santa Sé, para as felicitações de ano novo, no Vaticano. Durante o encontro, ele demonstrou preocupação com o crescimento do nacionalismo que enfraquece o peso das organizações internacionais. De acordo com Francisco, "o ressurgimento das tendências nacionalistas mina a vocação das organizações internacionais de serem um espaço de diálogo e encontro para todos os países".

Em seu discurso, o papa apontou que um dos motivos para esse crescimento é "a incapacidade do sistema multilateral de dar soluções eficazes às diferentes situações que, há algum tempo, estão pendentes de resolução, como alguns conflitos 'congelados'". O outro motivo, é a imposição de ideologias, destacando uma "crescente preponderância de poderes e grupos de interesse nos organismos internacionais que impõem a própria visão e ideias, desencadeando novas formas de colonização ideológica, que não respeitam a identidade, dignidade e sensibilidade dos povos". Para ele, o "reaparecimento de correntes semelhantes está enfraquecendo progressivamente o sistema multilateral, fruto de uma crise de credibilidade da política internacional e uma crescente marginalização dos membros mais vulneráveis". Acerca disso, o papa repetiu o discurso de acolhimento aos refugiados, dizendo que, apesar da grande desconfiança gerada pela chegada de estrangeiros que fogem da pobreza e das guerras, é necessário uma "resposta comum, sem prevenções e respeitando todas as instâncias legítimas".

O pontífice terminou destacando a importância da preservação do meio ambiente, citando a Amazônia, que estará no centro da próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, prevista para o mês de outubro no Vaticano. "A Terra é de todos e as consequências da sua exploração recaem sobre toda a população mundial, com efeitos mais dramáticos em algumas regiões", alertou. 

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