Dois indígenas são mortos em confronto com militares venezuelanos na fronteira com o Brasil

Ataque aconteceu quando uma escolta militar se aproximou de uma comunidade indígena de Kumarakapai

Por ESTADÃO CONTEÚDO

As pessoas andam em direção ao local onde o concerto
As pessoas andam em direção ao local onde o concerto "Venezuela Aid Live" será realizado na Ponte Internacional Tienditas em Cucuta, Colômbia -

Caracas - Duas pessoas morreram e 15 ficaram feridas em um confronto entre indígenas e militares venezuelanos nesta sexta-feira no estado de Bólivar, na fronteira com o Brasil, quando tentavam manter aberta uma estrada para a entrada de ajuda humanitária, informou uma ONG de defesa dos direitos humanos.

"Uma mulher indígena e seu marido morreram e ao menos outros 15 membros da comunidade indígena do município Gran Sabana ficaram feridos após a investida de um comboio da Guarda Nacional", informou à AFP a ONG Kapé Kapé.

O ataque aconteceu na manhã desta sexta, quando uma escolta militar se aproximou de uma comunidade indígena de Kumarakapai. Os soldados abriram fogo com balas de borracha e gás lacrimogêneo quando os voluntários tentaram impedir que os veículos fechassem a passagem.

Ao menos 12 pessoas ficaram feridas, com quatro em estado grave. A mulher, Zorayda Rodriguez, de 42 anos, foi morta, marcando a primeira fatalidade de uma operação internacional que tenta levar ajuda humanitária ao país, desafiando o governo de Nicolás Maduro.

Segundo afirmou em publicação no Twitter o opositor Juan Guaidó, os feridos serão transferidos para um hospital no Brasil porque na Venezuela não há remédios para tratamento médico.

"Eu pergunto às Forças Armadas, é constitucional que abram fogo contra indígenas desarmados?", indagou Jorge Perez, um vereador que diz ter estado presente quando os soldados abriram fogo. "É constitucional matar indígenas?"

Ao menos 30 vizinhos da região foram às ruas após a ação, sequestrando três soldados, segundo Carmen Elena Silva, de 48 anos, e George Bello, porta-voz da comunidade indígena.

"A maior parte das pessoas apoia a entrada da ajuda humanitária e nós queremos a nossa fronteira aberta", disse Carmen. "Isso é ajuda, não é guerra. Todos os dias morrem mais crianças".

Um porta-voz do Ministério das Comunicações da Venezuela afirmou que não poderia comentar sobre o caso.

Os ativistas pertencem à aldeia Pemones, que se juntou à oposição para buscar a ajuda doada pelos Estados Unidos e por outros países fronteiriços.

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