No Chile, Pompeo alerta países da América Latina: 'cautela com Rússia e China'

Em visita ao continente, secretário de Estado dos EUA afirmou que 'intervenções financeiras' da China ajudaram a destruir Venezuela

Por AFP

Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, visitou o Chile nesta sexta-feira
Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, visitou o Chile nesta sexta-feira -

Santiago - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, pediu nesta sexta-feira no Chile aos países latino-americanos que sejam cautelosos em suas relações com a China e a Rússia, dois países que, segundo ele, "montam armadilhas", "ignoram as regras" e "espalham a desordem ".

Em uma conferência realizada em um centro de convenções no leste de Santiago, depois de se reunir com o presidente Sebastián Piñera e o ministro das Relações Exteriores, Roberto Ampuero, Pompeo reafirmou a base da administração de Donald Trump em sua política com a América Latina.

"Os líderes da América do Sul se tornaram mais lúcidos e desconfiados de falsos amigos. China, Rússia estão definitivamente batendo na porta, mas uma vez que eles entram na casa, eles montam armadilhas, ignoram as regras e propagam desordem ", disse o chefe da diplomacia americana.

"Felizmente, a América do Sul não está comprando isso e nem nós", acrescentou.

Pompeo, que chegou a Santiago nesta sexta-feira criticou o financiamento concedido pela China ao governo venezuelano de Nicolás Maduro.

"Há uma lição a ser aprendida: a China e outros estão sendo hipócritas ao pedir a não intervenção nos assuntos da Venezuela. Suas próprias intervenções financeiras ajudaram a destruir o país", disse.

O chefe da diplomacia americana ressaltou o "problema" dos negócios de China em lugares como a América Latina. "Frequentemente injeta capital corrosivo", dando lugar à corrupção e erodindo o bom governo, afirmou.

A título de exemplo, mencionou o caso da represa Coca Codo Sinclair na selva do Equador, financiada e construída pela China, e que agora funciona a média capacidade por problemas em sua construção e administração, segundo Pompeo. Vários de seus executivos estão presos por corrupção.

O projeto, detalhou, incluiu um investimento de 19 bilhões de dólares de empréstimos chineses. Como garantia, este país obteve 80% do petróleo do Equador com um desconto, e depois o revendeu. "Este parece um parceiro de confiança?", perguntou Pompeo.

A América Latina "também deve ser cautelosa com a Rússia", acrescentou, pedindo aos países da região que não tolerem que este país escale a situação de tensão em países como Venezuela e Nicarágua.

 

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