Primeiro-ministro renuncia no 13º dia de protestos no Líbano

A renúncia de Hariri acontece num momento de aumento da tensão, apesar de as manifestações serem em sua maioria pacíficas

Por AFP

Saad Hariri anuncia renúncia ao cargo nesta terça-feira
Saad Hariri anuncia renúncia ao cargo nesta terça-feira -
Líbano - O primeiro-ministro libanês Saad Hariri anunciou nesta terça-feira a renúncia de seu governo, no 13º dia de uma contestação popular sem precedentes no Líbano e que exige a saída de toda a classe política do poder.
Seu discurso foi recebido com aplausos pela multidão que o ouviu ao vivo de vários locais de mobilização, antes que o hino nacional fosse entoado pelos manifestantes.
Fogos de artifício foram disparados em Beirute, enquanto carros cruzavam a cidade buzinando em sinal de vitória.
Hariri, 49 anos, disse que iria ao palácio presidencial de Baabda para apresentar a renúncia "diante da vontade de muitos libaneses que saíram às ruas para exigir mudanças".
Em um discurso televisivo muito curto, ele pediu a "todos os libaneses que privilegiem o interesse do Líbano (...) protejam a paz civil e impeçam qualquer deterioração da situação econômica".
Após uma revolta popular sem precedentes na história do país, os manifestantes conquistaram assim sua principal reivindicação. Mas o descontentamento é dirigido a toda a classe política, considerada unanimemente incompetente e corrupta.
O país está quase paralisado há duas semanas por barreiras que bloqueiam os principais acessos à capital. Bancos, escolas e universidades estão fechados.
Trinta anos após a guerra civil (1975-1990), a população ainda sofre com a escassez crônica de água e eletricidade. Mais de um quarto da população vive abaixo da linha de pobreza e o país está entre os mais corruptos do mundo.
Em 21 de outubro, o primeiro-ministro Hariri anunciou um plano de reforma que não convenceu: medidas contra a corrupção, um orçamento sem novos impostos, um programa de privatizações para combater a disfunção dos serviços públicos e ajuda aos mais desfavorecidos.
Segundo a imprensa, as capitais ocidentais, incluindo Paris e Washington, intervieram para pedir a Hariri que permanecesse em seu posto, em nome da estabilidade.
Segundo o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, o Líbano "atravessa uma crise muito grave (...) uma crise de confiança".
"Nessa situação, a França apela a todas as autoridades libanesas que façam tudo para garantir a estabilidade das instituições e a unidade do Líbano".
A contestação explodiu em 17 de outubro após o anúncio de um novo imposto sobre chamadas via WhatsApp.
O rápido cancelamento da medida não impediu que a revolta se espalhasse pelo país.
A renúncia de Hariri acontece num momento de aumento da tensão, apesar de os protestos serem em sua maioria pacíficos.
Pouco antes de seu discurso, foram registrados confrontos em Beirute, onde dezenas de atacantes destruíram as tendas montadas pelos manifestantes e atacaram com paus e pedras aqueles que não fugiram.
A polícia teve que intervir para impedir confrontos envolvendo apoiadores do Hezbollah pró-iraniano.
No domingo, os manifestantes fizeram uma demonstração sem precedentes de força e unidade, formando uma corrente humana de norte a sul do país, com 170 km de comprimento.
O atual governo é o terceiro liderado pelo primeiro-ministro Hariri desde que assumiu o cargo em 2009. Apoiado há muito tempo pela Arábia Saudita, ele é filho do bilionário e ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, assassinado em 2005.
 
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