OMS decreta pandemia do coronavírus. Brasil tem 52 casos confirmados

No mundo, 118 mil pessoas estão contaminadas. No Rio de Janeiro 13 pessoas estão com a doença e há 87 casos em investigação

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Torcedores do Flamengo usaram máscara contra o coronavírus na partida do time contra o Barcelona de Guayaquil, pela Libertadores
Torcedores do Flamengo usaram máscara contra o coronavírus na partida do time contra o Barcelona de Guayaquil, pela Libertadores -

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou ontem a pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). De acordo com a OMS, o número de pacientes infectados, de mortes e de países atingidos deve aumentar nos próximos dias e semanas. O termo pandemia se refere ao momento em que uma doença já está espalhada por diversos continentes, com transmissão sustentada entre as pessoas.

Apesar da declaração, os diretores da OMS destacaram que os governos devem manter o foco na contenção da circulação do vírus. Conforme a organização, nas últimas duas semanas, o número de casos fora da China aumentou 13 vezes e a quantidade de países afetados triplicou. Até o momento, são mais de 118 mil casos ao redor do mundo e 4.292 mortes.

"A descrição da situação como uma pandemia não altera a avaliação da OMS da ameaça representada por esse vírus. Isso não muda o que a OMS está fazendo nem o que os países devem fazer", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

No Brasil, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que nada muda com a declaração de pandemia. Segundo ele, os pacientes com sintomas que chegarem de outros continentes serão considerados "casos suspeitos".

Segundo Mandetta, serão investigados como possíveis suspeitos pessoas que voltarem de viagem ao exterior e apresentarem febre e mais um sintoma (dificuldade respiratória, dor no corpo e/ou tosse). "Nós já temos casos confirmados dentro do país, temos transmissão local, não temos ainda transmissão sustentada - que pode ser a próxima etapa. E a cada etapa temos medidas adicionais que vão sendo decretadas", acrescentou o ministro.

O Ministério da Saúde divulgou ontem novo boletim sobre pacientes infectados pelo coronavírus. Em todo país, são 907 casos suspeitos, 52 confirmados (eram 34 na terça-feira) e 935 descartados. No Brasil, o Sudeste está na liderança dos casos suspeitos: 498, com 45 confirmados.

O balanço aponta que São Paulo é o estado com mais casos confirmados: 30 pacientes. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (13), Bahia (2), Rio Grande do Sul (2), Distrito Federal (2), Alagoas (1), Minas Gerais (1) e Espírito Santo (1).

Ontem, ao responder sobre o que deveria ser feito a partir da declaração de pandemia, o presidente Jair Bolsonaro disse: "Eu não acho... eu não sou médico. Eu não sou infectologista. O que eu ouvi até o momento, outras gripes mataram mais do que essa".

O chefe da Secretaria Especial de Comunicação (Secom), Fabio Wajngarten, estaria com suspeita de coronavírus. Ele fazia parte da comitiva que viajou com Bolsonaro a Miami, nos EUA, para se encontrar com o presidente Donald Trump na última semana. As informações são de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Fifa adia a estreia do Brasil nas Eliminatórias

A pandemia de coronavírus já afeta uma das maiores paixões do mundo: o futebol. Ontem, a Fifa decidiu adiar o início das Eliminatórias para a Copa do Qatar: os jogos do Brasil contra a Bolívia, dia 27, em Recife; e o Peru, dia 31, em Lima, serão em outras datas.

Ontem, também, médicos foram à cela de Ronaldinho Gaúcho e de seu irmão Assis, no Paraguai, para medir a temperatura de ambos. O procedimento foi realizado em todos os detentos para descobrir se suspeita de coronavírus.

Na Europa, medidas também estão sendo tomadas para evitar a proliferação do vírus. Os jogos da Liga dos Campeões e os campeonatos espanhol, inglês, alemão e português, entre outros, vão ocorrer com portões fechados.

Seguindo orientação das autoridades francesas e da Uefa, o estádio Parque dos Príncipes ficou vazio para o duelo do PSG contra o Borussia Dortmund.

Basquete americano

A NBA, liga americana de basquete, anunciou ontem a suspensão de toda a temporada por causa do coronavírus. A decisão foi anunciada após o cancelamento do jogo entre Oklahoma City Thunder e Utah Jazz, por conta da suspeita de contaminação de um dos jogadores do Jazz.

Trump suspende viagens da Europa aos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem que vai impedir a entrada de pessoas em viagens vindas da Europa por um período de 30 dias, a contar de amanhã. As medidas foram tomadas para tentar conter o novo coronavírus.
Ontem, uma das vice-presidentes do parlamento espanhol e ex-ministra da Saúde Ana Pastor Julián, de 62 anos, do Partido Popular, informou que seu teste deu positivo para o Covid-19. Em sua conta no Twitter a parlamentar acrescentou que vai ficar em casa conforme orientação médica. Este é o 3º caso de um membro do parlamento infectado.
O ator americano Tom Hanks também confirmou que ele e sua mulher, Rita Wilson, estão infectado pelo coronavírus. Em uma postagem em seu perfil no Twitter, ele escreveu: "Olá, pessoal. Rita e eu estamos aqui na Austrália. Nos sentimos um pouco cansados, com frio e com dores no corpo. Rita tinha uns calafrios que iam e vinham. Leves febres também. Para fazer tudo certo, como é preciso no mundo agora, fomos testados para o coronavírus, e o resultado foi positivo".
Merkel: 70%serão afetados
E na Alemanha, a chanceler Angela Merkel disse a aliados políticos que até 70% das pessoas no país podem ser infectadas pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2),segundo o jornal Bild. A “De 60%a 70% das pessoas na Alemanha serão infectadas pelo novo coronavírus”, disse Merkel.
A Itália, segundo país mais afetado pelo coronavírus, tem 631 mortos e 10.149 casos confirmados. Entre os casos confirmados da doença, a maioria está na região da Lombardia. Mais de 15 milhões de pessoas estão confinadas em uma medida sem precedentes tomada na Europa para tentar conter a propagação do coronavírus, que já contaminou 118 mil pessoas em todo o mundo.
Governo do Rio publica decreto com medidas emergenciais
O governador do Rio, Wilson Witzel, publicou ontem um decreto para o enfrentamento emergencial do coronavírus. A publicação, em edição extra do Diário Oficial, dá garantias às autoridades sanitárias regionaispara que tomem providências em benefício da coletividade.
De acordo com o governo estadual,o decreto está embasado por leis federais, portaria do Ministério da Saúde e em Declaração de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS).Entre as regras que poderão ser adotadas em casos suspeitos, o decreto prevê: isolamento, quarentena, exames médicos, testes laboratoriais, coleta de amostras clínicas,vacinação e outras medidas profiláticas, tratamentos médicos específicos, estudo ou investigação epidemiológica, exumação, necropsia,cremação e manejo de cadáver.
Há ainda a possibilidade de requisição de bens e serviços de pessoas naturais e jurídicas, hipótese em que será garantido o pagamento posterior de indenização justa.
“O decreto tem o objetivo de dar à Secretaria de Estado de Saúde mais agilidade no enfrentamento da crise, inclusive na compra de insumos, aluguel de equipamentos e construção de novos leitos. É um decreto que regulamenta em nível estadual a lei federal promulgada em fevereiro. Não há novidades no decreto. Na verdade, ele até repete alguns aspectos da legislação que já existe”, explicou o secretário de Estado de Saúde, Edmar Santos.
A Secretaria Estadual de Saúde reforçou que, até o momento, o Rio de Janeiro continua sem transmissão ativa do vírus. “Os casos confirmados até agora são importados do exterior. Permanecemos no nível zero do nosso plano de contingência”, explica Santos.
O secretário estima, porém, que as transmissões comunitárias aconteçam em até 30 dias, que são aquelas que circulam no estado e não há informações de como a pessoa contraiu o vírus.
Congresso terá restrição de pessoas 
Devido ao coronavírus, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia(DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), anunciaram medidas para restrição das pessoas que devem circular pelo Congresso a partir da próxima semana. O anúncio ocorreu durante um debate na Câmara com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Na ocasião, foram discutidas ações de prevenção e controle do vírus.
“Aqui circulam muitas pessoas de todas as regiões. É importante que a Câmara possa restringir o acesso, reduzir o número de audiências e a presença dos plenários a poucos assessores, quase que exclusivamente aos próprios parlamentares”, explicou Maia.
De acordo com a assessoria do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que também preside o Congresso, ele vai assinar um ato com medidas de prevenção ao coronavírus. Entre elas, estão restrição de visitação pública, suspensão de sessões especiais na Câmara e no Senado, além das viagens de parlamentares e servidores em missões oficiais no exterior.
Ontem, deputados da Comissão Externa do Coronavírus aprovaram,por unanimidade, solicitação para que o Ministério da Saúde proíba as exportações de materiais que fazem parte dos kits de EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual), como máscaras e álcool gel. Eles também querem o tabelamento dos preços dos equipamentos, produtos básicos e insumos utilizados no tratamento do Covid-19.
A TV Globo também poderá suspender a plateia em seus programas, como prevenção: “Estamos avaliando o modelo e a própria participação de plateia e de figuração em nossos programas”, informou a emissora.

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Torcedores do Flamengo usaram máscara contra o coronavírus na partida do time contra o Barcelona de Guayaquil, pela Libertadores Daniel Castelo Branco / Agencia O Dia
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