
"A Confederação Única dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia está se reunindo, decidindo quando devo voltar. Me pedem que volte no dia 11 de novembro porque saí no dia 11 de novembro. É muito simbólico, mas repito, não está definido, eles vão decidir", ressaltou.
A ordem foi suspensa nesta segunda-feira porque, "seus direitos foram desrespeitados, basicamente o direito à defesa, pois Morales não foi devidamente convocado", explicou o juiz Jorge Quino, presidente do Tribunal Departamental de Justiça de La Paz, à emissora Unitel.
Sobre seus planos quando voltar ao seu país, Morales disse que irá morar na região de Cochabamba, para retomar o ativismo sindical que iniciou na década de 1980 até chegar à presidência em 2006.
Quando questionado se assumiria algum papel no governo de Arce, ele respondeu de forma enfática: "Não, de forma alguma".
"Vou continuar como dirigente sindical enquanto me permitirem. Pessoalmente, (vou) me dedicar à agricultura. Estou fazendo reuniões por telefone para ter tanques para criação de peixes. O tambaqui está na moda. Os colegas que criam peixes tambaqui estão ganhando muito bem", afirmou.
Morales, que governou a Bolívia por quase 14 anos, renunciou à Presidência em 10 de novembro de 2019, após perder o apoio das Forças Armadas em meio a uma crise gerada por denúncias de fraude eleitoral.
Inicialmente asilado no México, refugiou-se na Argentina a partir de dezembro de 2019, quando o centro-esquerdista Alberto Fernández assumiu a Presidência.
Morales culpa os Estados Unidos e o Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, por sua saída do poder.
"É um golpe dos Estados Unidos. O império conseguiu impedir Evo de ser presidente. Mas o plano do império, junto com a direita boliviana, era proibir o MAS e eles não conseguiram", ressaltou.
"Luis Almagro e sua equipe técnica (missão de observação eleitoral) que esteve na Bolívia são responsáveis por tanto massacre, por não respeitar a soberania de um povo. Se eles têm moral e ética, devem renunciar", insistiu, referindo-se à auditoria da OEA que apresentou uma "manipulação maliciosa" nas eleições de 2019.
No entanto, Morales garante que dentro do seu país deseja a reconciliação.
"Vou fazer um trabalho de reconciliação, não podemos estar em confronto entre bolivianos, somos uma família. Claro, temos diferenças ideológicas, programáticas, de classe. Quero conversar com alguns grupos, com esses grupos de choque da direita. Tenho vontade de falar. É uma questão de tempo", explica Morales.
Em 2019, Morales tentou obter o seu quarto mandato consecutivo, depois que o Tribunal Constitucional o autorizou a concorrer às eleições novamente.
Um ano depois dessas eleições, o ex-presidente afirma que "o povo não se enganou ao pedir a continuidade (do seu governo)".
"Cada país tem sua particularidade", destacou, referindo-se aos períodos de instabilidade política na Bolívia.
"Não é que Evo quisesse (reeleição). As pessoas me disseram 'como estamos indo bem, para continuar bem temos que ratificar você, Evo'. E vencemos no primeiro turno".
"Agora a gente ganha de novo, está se repetindo, no primeiro turno. Os resultados das eleições de 18 de outubro são a melhor prova de que não houve fraude, e sim um golpe", finalizou.





