Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reafirmou nesta quarta-feira (7) seu apoio à vacina anticovid da AstraZeneca
Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reafirmou nesta quarta-feira (7) seu apoio à vacina anticovid da AstraZenecaAFP
Por AFP
Haia - A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reafirmou nesta quarta-feira (7) seu apoio à vacina anticovid da AstraZeneca, apesar dos coágulos sanguíneos sofridos por alguns que receberam o imunizante, um efeito colateral "raro" - insistem os especialistas.

Os trombos despertaram uma onda de inquietação, especialmente na Europa, em grande parte por causa das próprias contradições das autoridades.

Países como Canadá, França, Alemanha e Holanda recomendaram não usar essa vacina em jovens, após a detecção de casos de coágulos sanguíneos.

Ainda assim, a EMA afirmou que os coágulos sanguíneos são um efeito colateral "muito raro", encorajando os países a continuarem a usar o imunizante.

O balanço entre riscos e benefícios permanece "positivo", de acordo com um comunicado da autoridade europeia.

A diretora-executiva da EMA, Emer Cooke, destacou que esses trombos podem ser uma resposta imunológica, embora "não tenha sido possível confirmar fatores de risco específicos como idade, sexo, ou histórico médico".

Os ministros da saúde da União Europeia se reúnem por videoconferência esta tarde para discutir essas conclusões.

Ao mesmo tempo, o comitê científico que assessora o governo britânico recomendou que o imunizante da AstraZeneca seja usado apenas em pessoas com mais de 30 anos, como "precaução".

"Adultos com entre 18 e 29 anos (...) devem receber uma vacina alternativa (...) quando disponível", disse o professor Wei Shen Lim.

De acordo com o regulador britânico de medicamentos, dos 79 casos de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas com a vacina AstraZeneca relatados no Reino Unido, 19 foram fatais.

Desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, a vacina foi administrada em pelo menos 111 países, à frente da Pfizer/BioNTech (67 países), ou da Moderna (pelo menos 39 países).

Recordes na América Latina
Do outro lado do Atlântico, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) destacou o "preocupante" aumento das infecções por covid-19 na América do Sul, lembrando que, na última semana, Brasil e Argentina estiveram entre os dez países com maior número de novas infecções.

Em todo mundo, as campanhas de vacinação estão avançando em ritmos díspares, enquanto novas ondas da covid-19 atingem vários países, principalmente com variantes mais agressivas do vírus.

Na América Latina, já foram registradas 805.865 mortes (em mais de 25,5 milhões de infecções).

É a segunda região com mais vítimas fatais causadas pelo coronavírus, atrás apenas da Europa (978.685 óbitos), segundo estimativas da AFP baseadas em fontes oficiais.

O Brasil é de longe o país mais atingido, com mais de 336.947 mortes, superado apenas pelos Estados Unidos com cerca de 555.000.

O gigante sul-americano, de 212 milhões de habitantes, registrou na terça-feira, pela primeira vez, mais de 4.000 mortes em 24 horas.

Na região, a Argentina também teve um pico sem precedentes, com 20.870 novas infecções diárias.

No Chile, a crise de saúde levou ao adiamento por cinco semanas da eleição de prefeitos e constituintes marcada para este fim de semana.

A pandemia matou mais de 2,8 milhões de pessoas em todo mundo.

Restrições e "pressão"
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A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou nesta quarta-feira que apoia a ideia de aplicar um "confinamento curto" em toda Alemanha.

Enquanto isso, a Índia, que registrou quase 116.000 novos casos de coronavírus nesta quarta-feira, um recorde, decidiu impor toques de recolher em 20 cidades, incluindo a capital, Nova Délhi.

O Serum Institute daquele país - maior fabricante mundial de vacinas anticovid - alertou que precisará de mais recursos do governo indiano por causa das restrições às exportações.

A pressão colocou a capacidade de produção do SII "sob muito estresse, para ser franco", disse o CEO da empresa, Adar Poonawalla.

Já o grupo francês Delpharm começou nesta quarta-feira a envasar a vacina Pfizer/BioNTech em uma fábrica localizada 90 quilômetros a oeste de Paris.

E na Austrália, que recebeu apenas 700.000 doses da vacina Oxford/AstraZeneca de um pedido de 3,8 milhões, o primeiro-ministro Scott Morrison culpou a União Europeia pelos atrasos na campanha de vacinação.

"Um total de 3,1 milhões de vacinas não chegou à Austrália. Não há discussão, conflito, disputa, ou confronto. É uma simples observação", disse o primeiro-ministro.

No mundo inteiro, mais de 692 milhões de doses da vacina anticovid foram administradas, de acordo com um balanço da AFP, embora a maioria das doses esteja concentrada em um punhado de países.