Ministro do Interior, Karl Nehammer tomou posse como chanceler da Áustria nesta segunda-feiraAFP

Viena - O ministro do Interior, Karl Nehammer, tomou posse nesta segunda-feira, 6, como chanceler da Áustria, com o objetivo de terminar com as turbulências provocadas após a renúncia do jovem político conservador Sebastian Kurz por acusações de corrupção.

O novo líder conservador, de 49 anos, fez o juramento diante do presidente Alexander Van der Bellen em uma cerimônia em Viena.

Seu antecessor, Alexander Schallenberg, que ocupava o posto de forma interina apresentou o pedido de renúncia na quinta-feira passada, poucas horas depois de o ex-chanceler Sebastian Kurz anunciar sua aposentadoria da política e que deixaria a presidência do partido ÖVP, após o escândalo de corrupção que frustrou seu governo.

Na sexta-feira, o partido governista nomeou Nehammer para a liderança da formação e para assumir o posto de chefe de Governo.

Sua primeira missão, como o chefe de Estado lembrou, será administrar a pandemia de covid-19 e "não fazer falsas promessas".

Em um breve discurso, Nehammer destacou a urgência de começar a trabalhar. Nesse sentido, pretende anunciar na quarta-feira as modalidades de saída do confinamento, imposto no dia 22 de novembro por 20 dias.

"O coronavírus está cansando as pessoas. E para muitos, o limite do razoável foi ultrapassado", disse ele, prometendo "diálogo e escuta" - qualidades elogiadas neste líder conservador - para superar as "divisões".

O desafio do desconfinamento
O país - de 8,9 milhões de habitantes - decidiu em novembro confinar os não vacinados para enfrentar a crescente onda de infecções por covid-19 que atingiu a Europa, diferenciando-se da estratégia de outros países da UE.

Posteriormente, ampliou as restrições aos vacinados, afetando também lojas, restaurantes e locais de entretenimento, embora tenha isentado as escolas.

Também se distanciou do bloco europeu com o anúncio da política de vacinação obrigatória prevista para 2022.

De acordo com o projeto de lei divulgado pelos meios de comunicação, a multa que uma pessoa com mais de 14 anos por não ter sido vacinada será de 600 euros e poderá ser renovada de três em três meses.

Mas Nehammer terá que enfrentar uma parte da população que se opõe a essas medidas. No sábado, mais de 40 mil pessoas se manifestaram na capital.

Neste difícil contexto, o novo chanceler, que se caracteriza por uma barba de três dias e têmporas grisalhas, deve acabar com a instabilidade no país alpino.

Desde 2016, a Áustria mudou seus chanceleres cinco vezes. Nehammer ingressou no governo no início de 2020 e é considerado uma pessoa "leal" à sua formação conservadora, o ÖVP.

Embora não faça parte de seu círculo próximo, ele é "um seguidor leal de Sebastian Kurz", com quem compartilha a linha dura em relação ao direito de asilo, observa o cientista político Patrick Moreau.

Mas, ao contrário do ex-chanceler, que personificava uma imagem mais jovem do partido, Nehammer é considerado da velha guarda, embora "consensual".

'Estabilizar' o país
Segundo o especialista, esse elemento deve "facilitar" o trabalho e "estabilizar" a coalizão de governo, que também inclui o Partido Verde.

Esta formação sem precedentes foi colocada à prova este ano por várias diferenças ideológicas, mas principalmente por uma série de processos judiciais.

O escândalo que acabou com a carreira de Kurz - que assumiu o cargo com 31 anos em 2017 e se tornou o chefe de Governo eleito mais jovem do mundo - explodiu em outubro.

O Ministério Público fez uma operação de busca em seu gabinete e várias sedes oficiais, incluindo a chancelaria e o ministério das Finanças, no âmbito de uma investigação sobre acusações de que ele teria utilizado dinheiro público em uma troca de espaços publicitários por artigos elogiosos e pesquisas favoráveis.

Kurz sempre negou as acusações e afirmou que espera provar sua inocência na justiça, mas na semana passada anunciou que desejava iniciar um "novo capítulo". Também declarou que estava "esgotado" com as acusações recentes.

Desde a saída de Kurz, o partido conservador, no poder desde 1987, perdeu o primeiro lugar nas pesquisas. O novo chanceler terá que restaurar a imagem do partido e tentar manter o equilíbrio até as próximas eleições de 2024.

Assim, o primeiro ato de Nehammer foi reestruturar o gabinete, nomeando Schallenberg para seu antigo cargo de ministro das Relações Exteriores e mudando o chefe das pastas de Finanças, Interior e Educação.

Assim que ele nomeou seus ministros, uma polêmica começou. Gerhard Karner, que deveria ser o novo ministro do Interior, é prefeito da cidade que abriga um museu considerado pouco crítico ao chanceler austríaco Engelbert Dollfuss (1892-1934), que liderou um regime autoritário conhecido como "austrofascismo". Os Verdes pediram que ele "esclareça" sua posição sobre o assunto.