Estragos provocados por terremoto que atingiu o sul da TurquiaAFP
"A OMS está ciente da forte capacidade de resposta da Turquia e considera que as principais necessidades não atendidas podem estar na Síria, no imediato e a médio prazo", afirmou a diretora da OMS Adelheid Marschang ao conselho executivo da agência da ONU.
O secretário-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou para a urgência da situação. "Agora é uma corrida contra o tempo. A cada minuto que passa, a cada hora que passa, diminuem as chances de encontrar sobreviventes".
Em vários momentos sem ferramentas, os bombeiros prosseguiram com a dramática busca por sobreviventes durante a noite, desafiando o frio, a chuva ou a neve, assim como o risco de novos desabamentos.
Em Hatay, sul da Turquia, as equipes de emergência resgataram com vida uma menina de 7 anos que estava bloqueada sob uma montanha de escombros. "Onde está minha mãe?", perguntou a criança, com um pijama de cor rosa manchado pela poeira, no colo de um socorrista.
As condições meteorológicas na região de Anatólia dificultam os trabalhos de resgate e prejudicam as perspectivas dos sobreviventes, que se aquecem em tendas ou em fogueiras improvisadas.
A ajuda internacional para a Turquia deve começar a chegar nesta terça, com as primeiras equipes de socorristas procedentes da França e Catar.
Duas equipes americanas com 79 socorristas cada devem seguir para a região, informou a Casa Branca. A China anunciou o envio de uma ajuda de 5,9 milhões de dólares, que incluirá equipes especializadas em resgates em áreas urbanas, equipamentos médicos e material de emergência.
Erdogan anunciou que 45 países ofereceram ajuda. O pedido de ajuda do governo da Síria recebeu resposta da Rússia, aliada de Damasco, que prometeu enviar equipes de emergência nas próximas horas. E 300 militares russos que já estavam na região ajudam nos resgates.
A ONU afirmou que a ajuda deve chegar a toda a população síria, incluindo a parte que não está sob controle de Damasco.
Aproveitando o caos provocado pelos tremores, 20 supostos combatentes do grupo extremista Estado Islâmico (EI) fugiram de uma prisão militar em Rajo, controlada por rebeldes pró-Turquia.
A polícia turca anunciou a detenção de quatro pessoas que divulgaram mensagens "provocadoras" nas redes sociais sobre o terremoto.
Os balanços de vítimas dos dois lados da fronteira não param de aumentar e, levando em consideração a magnitude da destruição, a tendência deve persistir. Apenas na Turquia, as autoridades contabilizaram quase 5 mil imóveis desabados.
Além disso, a queda da temperatura representa um risco adicional de hipotermia para os feridos e as pessoas bloqueadas nos escombros.
A OMS afirmou que teme por números ainda piores e na segunda-feira, quando o balanço era de 2.600 mortos, afirmou que previa um balanço de vítimas "oito vezes mais elevado".
Na segunda-feira foram registrados pelo menos 185 tremores secundários, além dos dois terremotos principais: um de 7,8 graus durante a madrugada (4h17) e outro de 7,5 graus de magnitude ao meio-dia.
Os tremores secundários prosseguiram durante a madrugada de terça-feira. O mais forte, de magnitude 5,5, aconteceu às 6h13 (0h13 de Brasília) a nove quilômetros de Gölbasi (sul).
As autoridades turcas adaptaram ginásios, escolas e mesquitas para abrigar os sobreviventes. Mas com medo de novos terremotos, muitos moradores preferiram passar a noite ao relento.
"Todo mundo está com medo", disse Mustafa Koyuncu, um homem de 55 anos que passou a noite com a esposa e os cinco filhos no carro da família em Sanliurfa (sudeste da Turquia). Este foi o terremoto mais devastador na Turquia desde o tremor de 17 de agosto de 1999, que matou 17 mil pessoas, incluindo mil em Istambul.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu à AFP que o número de vítimas poderia ser até oito vezes maior.
O presidente turco declarou sete dias de luto pelas vítimas. "Nossa bandeira será hasteada a meio mastro até o pôr-do-sol de domingo", informou nas redes sociais em um tuíte. Sua gestão da tragédia terá muito peso nas eleições de 14 de maio.
Devido à hora em que o terremoto ocorreu, de madrugada, a maioria das pessoas estava dormindo. "Achamos que fosse o apocalipse", disse à AFP a repórter Melisa Salman, que mora em Kahramanmaras, epicentro do tremor.
"Estamos do lado de fora desde as quatro horas da madrugada. Está chovendo, mas ninguém se atreve a voltar para casa temendo novas réplicas", acrescentou esta jovem de 23 anos.
Em Diyarbakir, cerca de 380 km a leste, Muhittin Orakci acompanhava as operações de resgate em frente a um prédio em ruínas. "Sete membros da nossa família estão sob os escombros", disse.







