Palestinos voltam para casa após 15 meses de bombardeios em GazaAFP
Pela manhã, o Hamas publicou os nomes de três reféns israelenses que serão libertadas neste domingo, o que pareceu abrir caminho à implementação do acordo que visa pôr fim a mais de 15 meses de guerra em Gaza, desencadeada por um ataque dos islamistas em Israel em 7 de outubro de 2023.
O Hamas justificou o atraso com "complicações no terreno e a continuação dos bombardeios israelenses" neste domingo que, segundo a Defesa Civil de Gaza, deixaram oito mortos na Faixa.
No início da manhã, muitos moradores de Gaza foram às ruas expressando sua alegria pela trégua, aparentemente sem saber que sua implementação havia sido adiada. Alguns tentavam voltar para casa.
"Passamos a noite juntando as nossas coisas e já estávamos a caminho de casa quando ouvimos o barulho do bombardeio. Não podemos mais ir para casa, é perigoso. Estou devastado", disse Mohamad Baraka, um palestino deslocado, no sul de Gaza.
Segundo Doha, o pacto visa pôr "um fim definitivo à guerra" e também permitir que ajuda humanitária em massa entre em Gaza, governada pelo Hamas desde 2007.
Mas Netanyahu esclareceu em um discurso televisionado no sábado que este é "um cessar-fogo provisório" e que Israel se reserva "o direito de retomar a guerra com apoio americano" e "com mais força".
Em Israel, o acordo gerou divisões, e o partido de extrema direita do ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben Gvir, hostil ao pacto, anunciou que estava deixando a coalizão de Netanyahu.
De acordo com o texto acordado, 33 reféns feitos pelo movimento islamista Hamas durante seu ataque a Israel em 7 de outubro de 2023 serão devolvidos na primeira fase da trégua, de 42 dias.
No mesmo período, 737 prisioneiros palestinos serão libertados das prisões israelenses, de acordo com o Ministério da Justiça israelense.
Um oficial militar disse que a libertação dos reféns ocorreria em três pontos na fronteira de Israel com Gaza, onde eles seriam tratados por médicos e depois transferidos para hospitais.
Neste domingo, o braço armado do Hamas publicou uma lista de três reféns israelenses que seriam libertadas nas próximas horas, três mulheres que foram sequestradas em 7 de outubro.
Por sua vez, Israel estabeleceu uma lista de 95 detidos palestinos que podem ser libertados já no domingo, a maioria deles mulheres e menores de idade.
Entre os prisioneiros palestinos no acordo está Zakaria al-Zubeidi, ex-líder das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, o braço armado do partido Fatah do presidente Mahmoud Abbas.
Esta primeira fase deve abrir caminho para o fim definitivo de mais de 15 meses de guerra desencadeada pelo ataque de 7 de outubro, o mais mortal da história israelense.
Durante este período, decorrerão também as negociações sobre as modalidades da segunda fase, que deverá permitir a libertação dos últimos reféns, antes da terceira e última fase, dedicada à reconstrução de Gaza e à devolução dos corpos dos reféns que morreram em cativeiro.
Autoridades egípcias disseram que o acordo prevê "a entrada de 600 caminhões de ajuda por dia", incluindo 50 caminhões de combustível.
Na devastada Faixa de Gaza, os deslocados — a grande maioria dos cerca de 2,4 milhões de palestinos — se preparam para voltar para casa.
"Estamos ansiosos por esse momento. Queremos estar seguros", disse Ahmed Hamuda à AFP em Deir al-Balah, no centro do território palestino.
O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 matou 1.210 pessoas em Israel, a maioria civis, de acordo com uma contagem da AFP baseada em dados oficiais.
Das 251 pessoas sequestradas naquele dia, 94 permanecem reféns em Gaza e, destas, acredita-se que 34 morreram, segundo o exército israelense.
Em resposta, Israel lançou uma campanha aérea e terrestre na Faixa de Gaza que custou a vida de pelo menos 46.899 pessoas, a maioria civis, de acordo com dados do Ministério da Saúde administrado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.





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