Preso palestino libertado nesta quinta-feira abraça familiaresAFP
O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou o recebimento dos caixões de "quatro reféns caídos".
Em um comunicado, o movimento islamista anunciou a libertação de centenas de detentos, que foram recebidos por milhares de pessoas na cidade de Ramallah (Cisjordânia) e na cidade de Khan Yunis (Gaza).
Segundo a ONG Clube de Prisioneiros Palestinos, Israel libertou nesta quinta-feira 596 palestinos que estavam em suas prisões em troca da devolução dos corpos dos quatro reféns israelenses mantidos em Gaza, e ainda precisa libertar outros 46, mulheres e menores de idade, para concluir a troca.
Em Ramallah, os palestinos libertados desceram dos ônibus vestidos com os tradicionais lenços kufiyas e jaquetas que cobriam os uniformes prisionais. O Fórum de Famílias dos Reféns confirmou as identidades dos quatro corpos entregues.
"Recebimos com profunda tristeza a notícia da identificação de Shlomo Mansour, Tsachi Idan, Itzhak Elgarat e Ohad Yahalomi, de abençoada memória, que descansaram eternamente em Israel", afirmou o fórum em um comunicado.
Esta é última troca de reféns israelenses por presos palestinos prevista dentro do acordo de trégua mediado por Catar, Egito e Estados Unidos, que entrou em vigor em 19 de janeiro.
A primeira fase deste cessar-fogo termina no sábado e ainda não foram negociados os termos da segunda etapa, que deverá levar ao fim da guerra e concluir a libertação dos cerca de 60 reféns que permanecem em Gaza.
"Não há outra opção a iniciar as negociações para a segunda fase", afirmou o Hamas em um comunicado, considerando que Israel não pode apresentar "falsas desculpas" para interromper o processo.
Neste período inicial de seis semanas, um total de 25 reféns e oito cadáveres foram devolvidos a Israel. Em troca, as autoridades israelenses libertaram quase 1.900 palestinos presos em suas instalações.
O gabinete de Netanyahu havia indicado pouco antes da troca que a entrega dos corpos ocorreria "conforme as exigências israelenses", ou seja, "sem cerimônias do Hamas".
'Preferiram a vingança'
Um dos casos que mais chocou Israel foi a entrega na semana passada de quatro corpos, entre eles os dos meninos Ariel e Kfir Bibas, cujos caixões foram expostos diante de uma imagem de Netanyahu retratado como um vampiro.
O caso gerou ainda mais comoção quando as autoridades israelenses denunciaram que os meninos tinham sido assassinados a "sangue frio" e que o suposto cadáver de sua mãe, Shiri Bibas, de origem argentina, não correspondia a nenhum refém.
O Hamas reconheceu o erro e entregou posteriormente os restos mortais da mãe, que foi enterrada nesta quarta-feira junto de seus filhos em um cemitério próximo do kibbutz Nir Oz, onde foram sequestrados em 7 de outubro de 2023.
A família Bibas, cujos filhos tinham quatro anos e oito meses e meio no momento do sequestro, se tornou um símbolo da tragédia dos reféns israelenses.
O pai, Yarden Bibas, também sequestrado, mas libertado este mês, homenageou durante o funeral sua "família perfeita". "Shiri, sinto muito por não ter conseguido proteger a todos", disse.
Durante o funeral, a família instou os dirigentes israelenses a assumirem responsabilidade pela morte de seus parentes. "Poderiam ter salvado eles, mas preferiram a vingança", disse Ofri Bibas, cunhada de Shiri.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.