Agressores estavam vestidos com réplicas de uniformes militaresReprodução/internet
Perto da meia-noite, homens armados com fuzis entraram em um local onde eram realizadas rinhas de galos e abriram fogo contra vários dos espectadores na comunidade rural de La Valencia, na divisa entre as províncias de Manabí e Santo Domingo de los Tsáchilas (noroeste).
Várias pessoas ficaram feridas e estão sendo atendidas em hospitais próximos, disse na tarde desta sexta-feira o coronel da polícia Renán Miller Rivera, sem precisar o número exato.
Manabí é uma das seis províncias do Equador, além de Quito e uma localidade mineradora no sul do país, sob estado de exceção decretado pelo governo para enfrentar a violência do narcotráfico. O decreto foi renovado pelo presidente, Daniel Noboa, pouco antes das eleições de domingo, nas quais o mandatário foi reeleito com uma vantagem de 11 pontos sobre sua adversária de esquerda, Luisa González.
Uniformes militares
Os espectadores só conseguiram se jogar no chão, e a maioria se abrigou debaixo das arquibancadas. Vídeos de testemunhas mostraram vários corpos espalhados pelo chão do local.
Em uma estrada próxima, as autoridades encontraram "uniformes de tipo militar" jogados e dois veículos abandonados, disse Miller Rivera. Um dos automóveis estava carbonizado e o outro, capotado.
Guerra contra o narcotráfico
A violência do narcotráfico elevou a taxa de homicídios do Equador de 6 por 100 mil habitantes em 2018 para 38 em 2024, com um recorde histórico de 47 em 2023.
Noboa, que em janeiro de 2024 declarou o país em conflito armado interno, busca eliminar a violência por meio de uma política linha-dura. Durante a campanha para sua reeleição, anunciou que solicitará a países aliados o envio de "forças especiais" para ajudar na guerra contra os grupos criminosos.
O presidente também anunciou uma "aliança estratégica" com Erik Prince, fundador da polêmica empresa de segurança privada americana Blackwater, que no início de abril acompanhou uma operação policial em Guayaquil (sudoeste).
Quatro membros dessa companhia foram condenados nos Estados Unidos por um massacre cometido no Iraque em 2007. Em 2020, o então presidente americano, Donald Trump, concedeu indulto a eles.
Pelo Equador, com cerca de 18 milhões de habitantes, transita 73% da cocaína produzida no mundo, segundo um relatório do Ministério do Interior citado pela ONU.

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