Shigeru Ishiba diz querer continuar ocupando cargo de primeiro-ministro mesmo após derrota no SenadoPhilip Fong / Pool / AFP

A coalizão governista do Japão perdeu sua maioria no Senado nas eleições deste domingo (20), mas o primeiro-ministro Shigeru Ishiba disse que não tem planos de renunciar.
Aos 68 anos, Ishiba lidera um governo minoritário desde outubro, depois de ter conduzido seu grupo conservador, o Partido Liberal Democrata (PLD), a uma derrota expressiva nas eleições para a câmara baixa do Parlamento.
Nas eleições deste domingo, estavam em disputa 125 dos 248 assentos da câmara alta. A coalizão governista precisava conquistar 50 cadeiras para manter a maioria, mas a aliança entre o PLD e o partido aliado Komeito obteve apenas 41, segundo projeções da Nippon TV e da TBS baseadas em pesquisas de boca de urna.

A Câmara Alta tem 248 senadores. Com o resultado, o PLD e Komeito têm agora 122 cadeiras e estão em minoria nas duas câmaras do Parlamento.

Os eleitores, irritados com a inflação, optaram por outros partidos, em particular Sanseito, com sua mensagem de "Japão em primeiro lugar" que lembra a agenda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Acho que (o PLD) deveria ter perdido ainda mais", declarou à AFP Kazuyo Nanasawa, 25 anos, que votou em um pequeno partido conservador.

Nanasawa afirmou que Ishiba deveria renunciar.

A derrota nas urnas aconteceu poucos meses após a coalizão de Ishiba ter ficado em minoria na Câmara dos Deputados, que tem mais poderes, em uma eleição que registrou o pior resultado para o PLD em 15 anos.

Mudanças no ambiente externo
Ao ser questionado na noite de domingo se pretendia permanecer no cargo, Ishiba respondeu "sim".

"As mudanças no ambiente externo, como a situação internacional ou os desastres naturais, não podem esperar que a situação política melhore", declarou Ishiba nesta segunda-feira em uma entrevista coletiva.

"Por esta razão, embora tenha muita consciência da nossa grave responsabilidade pelos resultados eleitorais, (...) acredito que devo cumprir minha responsabilidade como o partido com mais votos e com a população do país, ouvindo de maneira cuidadosa e sincera as vozes do povo", afirmou.

O chefe de Governo deve informar os dirigentes de seu partido sobre a intenção de permanecer no poder, segundo a agência Jiji Press.

Ishiba é auxiliado pelo fato de que a oposição está fragmentada e tem poucas possibilidades de formar um governo alternativo, explica Hidehiro Yamamoto, professor de Sociologia e Política da Universidade de Tsukuba.

Para o analista, é provável que Ishiba continue buscando apoio da oposição para aprovar leis caso a caso.

Takeshi Nemoto, um eleitor do PLD de 80 anos, considerou que uma disputa por um novo líder seria "uma batalha perdida" para o partido e complicaria ainda mais as negociações sobre tarifas com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O Japão, que passou anos com preços estagnados ou em queda, começou a sentir uma inflação após a invasão russa da Ucrânia em 2022.

Os preços do arroz, em particular, dobraram, o que afetou o orçamento de muitas famílias.

A situação ficou ainda mais complicada devido à ameaça de uma tarifa americana de 25% caso um acordo com Washington não seja alcançado até 1º de agosto.

A indústria automotiva japonesa, responsável por 8% dos empregos do país, já enfrenta uma tarifa americana de 25%.