Trump e Putin se reunirão no AlascaMikhail Klimentyev/AFP/Agência O Dia
A ofensiva em grande escala da Rússia contra a Ucrânia, lançada em fevereiro de 2022, já deixou dezenas de milhares de mortos e grandes destruições. Após mais de três anos de combates, as posições de Kiev e Moscou parecem irreconciliáveis até o momento.
"A tão esperada reunião entre eu, como presidente dos Estados Unidos, e o presidente Vladimir Putin, da Rússia, acontecerá na próxima sexta-feira, 15 de agosto de 2025, no grande estado do Alasca", escreveu Trump nesta sexta-feira (8) em sua plataforma Truth Social.
Trump, que prometeu em diversas ocasiões acabar com a guerra na Ucrânia, falou várias vezes por telefone com o presidente russo nos últimos meses, mas não se reuniu com ele desde que retornou à Casa Branca em janeiro.
Será, portanto, o primeiro encontro presencial entre ambos desde junho de 2019, durante o primeiro mandato do republicano (2017-2021).
Ele não deu detalhes. "Falamos de um território onde os combates já duram mais de três anos e meio (...) é complicado, não é nada fácil, mas vamos recuperar parte dele", afirmou.
Moscou exige que a Ucrânia ceda quatro oblasts (regiões administrativas) parcialmente ocupados (Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia e Kherson), além da Crimeia, anexada em 2014, e que renuncie ao recebimento de armas ocidentais e a qualquer adesão à Otan.
Essas exigências são inaceitáveis para Kiev, que pede a retirada das tropas russas de seu território e garantias de segurança ocidentais. Isso incluiria mais fornecimento de armas e o envio de um contingente europeu, o que a Rússia se opõe.
A Ucrânia também solicita, em coordenação com seus aliados europeus, um cessar-fogo de 30 dias, que Moscou rejeita.
Putin conversou por telefone nesta sexta-feira com o presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Essas chamadas ocorreram no dia em que expirava o ultimato dado à Rússia na semana passada por Trump, para avançar nas negociações com a Ucrânia, sob a ameaça de novas sanções dos Estados Unidos.
O último ciclo de negociações diretas entre os dois beligerantes, em Istambul, em julho, resultou apenas na troca de prisioneiros e restos mortais de soldados.
Em uma tentativa de avançar nas negociações, o enviado americano Steve Witkoff foi recebido no Kremlin por Putin.
Isso representou uma aceleração diplomática que culminou na quinta-feira com o anúncio da Rússia de um "acordo de princípio" para uma reunião entre os mandatários dos Estados Unidos e da Rússia.
O presidente chinês "ressaltou que assuntos complexos não têm soluções simples" e acrescentou que "a China sempre apoiará (...) a paz e a promoção das negociações", detalhou a televisão pública CCTV.
Por sua vez, o premiê indiano, Narendra Modi, declarou que manteve uma "boa" conversa com seu "amigo" Putin.
Washington ameaçou impor tarifas colossais a países que comercializem com a Rússia, como Índia e China.
Mas, questionado na quinta-feira se manteria ou não seu ultimato à Rússia, Trump respondeu: "Isso dependerá de Putin, vamos ver o que ele diz".
Enquanto isso, o Exército russo continua seus bombardeios na Ucrânia e os ataques na linha de frente, onde seus soldados são mais numerosos e estão melhor equipados.

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