John Clarke recebeu o prêmio Nobel aos 83 anos nesta terça-feira (7)Karl Mondon / AFP

John Clarke, vencedor do prêmio Nobel de física, classificou os esforços do presidente Donald Trump para reformar a política científica e de saúde do país como um "problema imensamente grave", incluindo as demissões em massa de cientistas governamentais e cortes nos orçamentos de pesquisa.
"Isso paralisará grande parte da pesquisa científica nos Estados Unidos", disse o britânico à AFP nesta quarta-feira (8), ao acrescentar que conhece pessoas que sofreram enormes cortes de financiamento.

"Será desastroso se isso continuar [...]. Supondo que a administração atual vai acabar, pode levar uma década para voltar para onde estávamos, digamos, há um semestre", acrescentou.

Ele também classificou essa situação como um "enorme problema" que está além de "qualquer compreensão".
Premiação
Passava de 2h da manhã quando John Clarke recebeu um telefonema de um número misterioso que anunciaria que ele havia sido laureado com o prêmio Nobel. O cientista pensou que, "obviamente, tratava-se de um trote", que ficou ainda mais surrealista quando ouviu "uma voz vinda da Suécia".

"Logo ficou claro que era real", disse Clarke aos jornalistas nesta terça-feira (7), depois de ganhar junto com outros dois colegas o Nobel de Física por seus trabalhos no campo da mecânica quântica.

"Estava sentado completamente atordoado [...]. Jamais pensei em toda a minha vida que algo assim pudesse acontecer", refletiu.

Este professor da Universidade de Berkeley, na Califórnia, contou que, desde então, seu telefone não parou de tocar. Muitos e-mails chegaram e as pessoas começaram a "bater na minha porta" buscando entrevistas às 3h da madrugada.

"Eu disse obrigado, mas não. Não a esta hora da noite", recordou ele, de 83 anos, com um sorriso. Clarke compartilhou o cobiçado prêmio com o francês Michel Devoret e o americano John Martinis, dois colegas físicos que trabalhavam em seu laboratório de Berkeley durante a época da pesquisa nos anos 1980.

Os três cientistas são pesquisadores em universidades dos Estados Unidos.

O físico destacou os recursos significativos que teve a seu dispor no momento de seu trabalho há quatro décadas, como o espaço do laboratório, assistentes de pós-graduação e equipamentos.
Com informações da AFP.