Estados Unidos não constroem uma usina nuclear desde 2009AFP
A associação entre o governo de Donald Trump e a Brookfield Asset Management e Cameco, proprietários da Westinghouse, “vai acelerar a ativação da energia nuclear e da inteligência artificial nos Estados Unidos”, informou a empresa em um comunicado.
A Westinghouse não especifica quando os reatores nucleares entrarão em operação. Um porta-voz da empresa garantiu que o acordo está relacionado com a ordem executiva emitida em maio por Trump para ter dez "novos grandes reatores com design completo em construção até 2030".
O governo americano vai financiar o projeto, segundo o porta-voz.
Este é o maior investimento de Washington em energia nuclear desde que Trump voltou para a Casa Branca, em janeiro.
“Esta associação encarna a visão do presidente Trump de recuperar nossa soberania energética, criar empregos bem remunerados e posicionar os Estados Unidos na vanguarda do renascimento da energia nuclear”, disse, no comunicado, o ministro do Comércio, Howard Lutnick.
Os Estados Unidos não constroem uma usina nuclear desde 2009. Além disso, por mais de uma década construída abandonaram esta fonte de energia, sobretudo devido à sua imagem negativa frente à opinião pública.
Essa impopularidade se desviou, em grande parte, de uma série de acidentes: Three Mile Island (Estados Unidos, 1979), Chernobyl (antiga União Soviética, 1986) e Fukushima (Japão, 2011).
Os dois últimos reatores postos em funcionamento nos Estados Unidos custaram mais de US$ 30 bilhões (R$ 161 bilhões, em valores atuais), mais que o dobro dos US$ 14 bilhões (R$ 75 bilhões) previstos inicialmente. Mas a invasão da Ucrânia por parte da Rússia provocou um desequilíbrio no mercado de energia, o que levou os países a diversificarem seus abastecimentos.
Isto é somou o aumento do consumo de energia elétrica nos Estados Unidos, impulsionado pelo aumento dos centros de dados e pela revolução da computação na nuvem e da inteligência artificial.
Gigantes tecnológicos como Google e Microsoft também revelaram importantes investimentos nucleares para atender à alta demanda de energia da IA.
A iniciativa “ajudará a libertar a grande visão do presidente Trump para energizar completamente os Estados Unidos e vencer a corrida global da inteligência artificial”, disse o secretário de Energia, Chris Wright.
“O presidente Trump prometeu um renascimento da energia nuclear e agora está cumprindo”, afirmou.
A Westinghouse Electric Company é uma filial da história da empresa de energia Westinghouse Electric Corporation, fundada em 1886 em Pittsburgh (nordeste).
A empresa declarou falência em 2017 antes de ser adquirida em 2018 pela companhia de investimentos Brookfield Corporation, acionista majoritária. A gigante canadense do urânio Cameco possui participação minoritária.
O acordo entre o governo americano e a Westinghouse inclui um mecanismo de distribuição de lucros entre os setores privados e o Estado.
Segundo uma porta-voz da Brookfield, uma vez que as usinas sejam construídas, não serão propriedade do Estado, mas de particulares.
A Westinghouse dispõe de dois modelos de reatores de água pressurizada, o AP1000 e o AP300, com potências de pouco mais de um gigawatt (GW) e 300 megawatts (MW), respectivamente.
Embora o AP1000 já tenha sido validado pelo NRC, organismo regulador do tema nuclear nos Estados Unidos, o mesmo não ocorre com o AP300, que ainda está em processo de certificação.

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