Starmer não hesitou em responder com contundênciaAFP
Reino Unido reage a críticas de Trump sobre envolvimento da Otan no Afeganistão
Keir Starmer classifica declarações do republicano como 'insultantes'
As declarações de Donald Trump afirmando que aliados de Otan permaneceram "ficados um pouco afastados das linhas de frente" no Afeganistão provocaram indignação no Reino Unido nesta sexta-feira (23), com o primeiro-ministro Keir Starmer classificando-o como "insultados".
Em entrevista na quinta-feira à emissora americana Fox News, Trump criticou o papel dos demais países-membros da Otan, ao afirmar que os Estados Unidos “nunca precisaram deles”.
"Eles vão dizer que enviaram tropas ao Afeganistão, e isso é verdade, mas ficaram um pouco à margem, um pouco longe das linhas de frente", declarou, em referência à intervenção de uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos para expulsar a Al-Qaeda de seus redutos após os atentados de 11 de setembro de 2001.
Starmer não hesitou em responder com contundência. "Considero que as palavras do presidente Trump são insultantes e, francamente, deploráveis, e não me surpreendem que tenham causado tanto dor aos entes queridos aqueles que morreram ou ficaram feridos", afirmou Starmer às redes britânicas de televisão.
O primeiro-ministro trabalhista acrescentou que, se tivesse feito as declarações proferidas por Trump, pediria desculpas.
Anteriormente, uma porta-voz de Starmer afirmou que o presidente americano "está errado ao minimizar o papel desempenhado pelas tropas da Otan, em particular pelas Forças Armadas Britânicas".
“Estamos extremamente orgulhosos das nossas Forças Armadas, e o seu serviço e sacrifício jamais serão esquecidos”, acrescentou, ao destacar o preço pago pelo Reino Unido nessa intervenção militar, na qual perderam 457 soldados.
As perdas britânicas foram as maiores depois das americanas, com 2.400 soldados mortos.
Mais de 150 mil militares britânicos foram enviados ao Afeganistão entre setembro de 2001 e agosto de 2021.
Mais cedo, à Sky News, o ministro adjunto da Saúde do Reino Unido, Stephen Kinnock, classificou os comentários de Trump como “profundamente decepcionantes”.
O ministro da Defesa, John Healey, e a das Relações Exteriores, Yvette Cooper, também lembraram as perdas britânicas.
O líder da oposição conservadora, Kemi Badenoch, denunciou declarações “absurdas”.
"As tropas britânicas, canadenses e de Otan lutaram e morreram ao lado dos Estados Unidos durante 20 anos. Isso é um fato, não uma opinião. Seu sacrifício merece respeito, não desprezo", escreveu na rede social X.
A presidente da Comissão Parlamentar de Relações Exteriores, a deputada trabalhista Emily Thornberry, atualmente, assim como Starmer, que as declarações representam "um insulto" às famílias dos mortos.
Entre outros aliados de Otan, o Canadá perdeu 158 soldados no Afeganistão.
A França, por sua vez, perdeu 89 soldados e a teve 44 militares da Dinamarca mortos no Afeganistão, 37 deles em combate.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.