Em 2024, o número de jornalistas mortos alcançou 124, segunda maior marca já registradaAFP
Comitê aponta que 2025 teve recorde de jornalista assassinados com 129 vítimas
A maior parte dos casos foi no Oriente Médio em confrontos israelenses
Um recorde de 129 profissionais da imprensa foram assassinados no mundo em 2025, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), que atribuiu a Israel dois terços dessas mortes.
Esse foi o segundo ano consecutivo com um recorde de jornalistas mortos, após os 124 de 2024. O ano passado também foi o mais letal desde que o CPJ começou a coletar dados, há mais de três décadas.
"Matam jornalistas em um número recorde, no momento em que o acesso à informação é mais importante do que nunca", denunciou a diretora-geral do CPJ. "Todos estamos em risco quando jornalistas são mortos por cobrirem a atualidade."
Mais de três quartos das mortes de 2025 ocorreram em contextos bélicos, apontou o CPJ, segundo o qual 86 jornalistas foram mortos por fogo israelense, principalmente na Faixa de Gaza, mas também no Irã, Líbano e Iêmen.
"O Exército israelense cometeu mais assassinatos seletivos de membros da imprensa do que qualquer outro Exército governamental até o momento, sendo a grande maioria dos mortos jornalistas e profissionais da imprensa palestinos em Gaza", afirmou a ONG americana.
Forças militares israelenses negaram o que chamaram de "acusações". "Ao longo da guerra, houve vários casos em que terroristas atuaram disfarçados de civis, inclusive passando-se por jornalistas", disse à AFP um porta-voz militar israelense, acrescentando que todas as ações "deveram-se ao seu envolvimento em atividades terroristas".
"Qualquer afirmação de dano intencional a civis - incluindo familiares de jornalistas - devido à sua atividade profissional é totalmente falsa", acrescentou o porta-voz.
Drones, crime organizado
Além da guerra na Faixa de Gaza, os outros dois conflitos mais letais para a imprensa foram o da Ucrânia (quatro mortos) e o do Sudão (nove mortos), segundo o CPJ.
O Comitê destacou um aumento do uso de drones, com 39 casos documentados, incluindo 28 assassinatos cometidos por Israel na Faixa de Gaza e 5 pelo grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF) no Sudão.
Na Ucrânia, quatro jornalistas foram mortos por drones militares russos, o maior número anual de mortes de profissionais nessa guerra desde os 15 registrados em 2022.
Os jornalistas estão cada vez mais vulneráveis, devido a uma cultura persistente de impunidade, apontou o CPJ, ao destacar a falta de investigações transparentes sobre os assassinatos.
No México, seis jornalistas foram mortos em 2025 e nenhum dos casos foi solucionado. Já as Filipinas registraram três jornalistas mortos a tiros.
Outros profissionais foram assassinados após publicarem informações sobre corrupção, como um repórter de Bangladesh morto a golpes de facão por suspeitos ligados a uma rede de fraude, segundo o relatório do CPJ. Mortes semelhantes relacionadas ao crime organizado ocorreram em Índia e Peru.
Na Arábia Saudita, um colunista renomado foi executado em junho, após ser condenado por acusações que o CPJ classificou como "alegações falaciosas" utilizadas para punir jornalistas. Esse foi o primeiro assassinato documentado de um jornalista saudita desde a morte de Jamal Khashoggi, em 2018.
Criado em 1981, em Nova York, para defender a liberdade de imprensa e os jornalistas no mundo, o CPJ - financiado por fundos privados e fundações - é dirigido por um conselho integrado por membros da imprensa e da sociedade civil.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.