Pequeno bípede humanoide tem a habilidade de se comunicar por vozAFP

Pesquisadores japoneses afirmaram que o monge robótico movido por inteligência artificial (IA) "Buddharoid", capaz, segundo os cientistas, de dar conselhos científicos e, talvez um dia, atenuar a escassez de monges humanos.
A máquina foi treinada em escrituras budistas e pode responder às perguntas que os fiéis às vezes não ousam fazer a uma pessoa, explicadas nesta quarta-feira (25) pela equipe da Universidade de Kyoto, no oeste do Japão.
O pequeno bípede humanoide tem a habilidade de se comunicar por voz.
“No futuro, é possível que auxiliem ou substituam alguns dos rituais religiosos realizados por monges humanos”, afirmou a universidade em um comunicado.
O robô é a criação mais recente de Seiji Kumagai, professor no Instituto para o Futuro da Sociedade Humana da instituição universitária.
Utilizando modelos da empresa americana OpenAI (ChatGPT) e outros, ele já havia trabalhos em chatbots religiosos como o “BuddhaBot” ou um bot de catecismo.
Para a nova criação, Kumagai instalou o software “BuddhaBotPlus” atualizado em um robô humanoide “Unitree G1” de fabricação chinesa.
Ele foi apresentado na terça-feira em um templo e, embora ainda não tenha rosto, estava com um hábito cinza e mostrou a capacidade de unir as mãos em sinal de oração.
Sentado em uma cadeira, o monge robô deu conselhos a um jornalista.
“O budismo ensina que não se deve seguir cegamente os pensamentos nem se precipitar”, afirmou com voz grave ao repórter do canal NHK. “Uma abordagem é engraçada a mente e livrar-se desses pensamentos”, acrescentou.
Milhões de pessoas de diferentes confissões utilizam chatbots religiosos.
Kyoto já conta com um androide sem funcionalidades de IA, Mindar, que faz sermões, e a Alemanha apresentou em 2017 um robô que abençoa os fiéis em cinco idiomas.
A nova máquina combina IA e robótica, oferecendo conselhos científicos e mantendo conversas religiosas enquanto executa movimentos físicos semelhantes aos humanos.
A Universidade de Kyoto afirmou que as discussões éticas sobre o uso adequado dessas ferramentas em ambientes religiosos devem continuar. Mas os humanóides poderiam realizar algumas tarefas no futuro devido ao envelhecimento da população e à escassez de mão de obra no país.