Colômbia é 'um dos lugares mais perigosos do mundo' para ser um defensor dos direitos humanos, disse Volker TürkFabrice Coffrini/AFP
Quase mil defensores dos direitos humanos foram assassinados na Colômbia entre 2016 e 2025, diz ONU
Relatório aponta aumento progressivo de mortes desde o acordo de paz com as guerrilhas das Farc, assinado há dez anos
Um total de 972 defensores dos direitos humanos foram mortos na Colômbia desde 2016, ano da assinatura do acordo de paz com as guerrilhas das Farc, informou a agência de Direitos Humanos da ONU nesta quinta-feira (19).
"Na Colômbia, ao longo da última década, os defensores dos direitos humanos têm sido submetidos a uma violência implacável, com uma média de quase 100 pessoas assassinadas por ano", afirmou a agência em comunicado.
"É de partir o coração que a Colômbia continue sendo um dos lugares mais perigosos do mundo para ser um defensor dos direitos humanos", disse o alto comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, citado no comunicado.
A agência observou que, durante o período analisado, de 2016 a 2025, "mais de 70% dos perpetradores foram identificados como atores armados não estatais".
O relatório acrescenta que, durante o mesmo período, "foram registrados 2.018 casos de ameaças e ataques contra defensores dos direitos humanos", um número que representa apenas "uma fração da verdadeira magnitude do fenômeno".
E destaca que, após a assinatura do acordo de paz de 2016 com as Farc, "foi identificado um aumento progressivo no número de assassinatos de defensores" dos direitos humanos.
Isso se refere a "disputas envolvendo atores armados não estatais em territórios anteriormente ocupados pelas guerrilhas das Farc-EP, onde o Estado não conseguiu manter uma presença abrangente para proteger as comunidades".
O relatório aponta especificamente para grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas, mineração ilegal, extração ilegal de madeira e tráfico de pessoas, e critica "os altos níveis de impunidade e corrupção como fatores que contribuem para a violência".

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