Governo Macrón indica que qualquer atraso na divulgação ''comprometeria gravemente" as ações em nível mundialAFP
França acusa países de tentar 'atrasar' relatório sobre mudanças do climáticas
Documento é produzido por especialistas da ONU
O governo do presidente Francês Emmanuel Macron (Renaissance - RE) expressou, nesta terça-feira (31), sua preocupação com as tentativas de países em adiar a publicação de um dos principais relatórios sobre as mudanças climáticas. O documento é produzido por especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU).
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), criado em 1988, divulga a cada cinco a sete anos suas conclusões científicas sobre o clima, que servem de referência para a Organização.
Uma reunião técnica do grupo de especialistas em Bangcoc, na Tailândia, foi marcada por tensões, disseram fontes diplomáticas à AFP, depois que a Arábia Saudita e a Índia insistiram que fosse considerado o adiamento do próximo relatório.
O cronograma é tema de debate, já que alguns países querem que o relatório seja publicado antes da COP do clima de 2028, para quando está previsto um balanço do progresso na redução das emissões globais.
Arábia Saudita e Índia - que podem sediar a cúpula em 2028 - desejam que o relatório seja divulgado em 2029, afirmaram diplomatas. A reunião técnica terminou sem acordo sobre essa questão.
"A França expressa sua profunda preocupação diante das tentativas de desacelerar e adiar arbitrariamente o cronograma de publicação dos relatórios do sétimo ciclo de avaliação do IPCC", declarou o Ministério da Transição Ecológica em comunicado.
A França, junto de países mais vulneráveis às mudanças climáticas, como os pequenos Estados insulares do Pacífico, dentre eles: Fiji, Samoa, Tonga, Kiribati, Vanuatu, Palau, Nauru, Tuvalu, Estados Federados da Micronésia, Ilhas Marshall, Ilhas Salomão, Niue e Cook, defende que os dados científicos do grupo estejam disponíveis para a COP de 2028.
O ministério francês afirmou que qualquer atraso na divulgação dos dados "diante da emergência climática comprometeria gravemente" as ações em nível mundial.

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