Nova variante da Covid, 'Cicada' já foi detectada em 23 paísesReprodução

A Rede Global de Vírus (GVN) emitiu um importante alerta sobre o avanço da variante BA.3.2 do coronavírus, apelidada de 'Cicada' (Cigarra, em português), que apresenta uma capacidade maior de escapar da resposta imunológica. Segundo a organização, pesquisadores já identificaram a cepa em diversos países, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo.
"Análises iniciais, incluindo avaliações técnicas de autoridades internacionais de saúde pública e estudos laboratoriais emergentes, indicam que a BA.3.2 apresenta características de escape de anticorpos”, informou a entidade, que conta com a participação de mais de 90 médicos espalhados por 40 países.
Além disso, os virologistas destacam que essas mutações podem aumentar o risco de reinfecção. No entanto, eles ponderam que esse cenário não representa, necessariamente, um agravamento da doença. "Embora o escape imune possa aumentar a probabilidade de infecção ou reinfecção, isso não implica redução da proteção contra doença grave. Essas mudanças são consistentes com a evolução esperada do SARS-CoV-2 e de outros vírus respiratórios", completa o comunicado.
A variante foi identificada pela primeira vez em novembro de 2024 e, desde então, se espalhou para 23 países. Mais recentemente, ela ganhou espaço em algumas regiões, especialmente na Europa, o que chamou a atenção da comunidade científica.
Outro fator relevante envolve o número elevado de mutações, principalmente na proteína spike (entre 70 e 75 alterações), responsável pela entrada do vírus nas células humanas. Por esse motivo, especialistas avaliam que a variante pode reduzir parcialmente a eficácia de anticorpos. Ainda assim, eles reforçam que as vacinas continuam eficazes na prevenção de casos graves.
No entanto, a rede de virologistas ressalta que não há evidências de maior letalidade associada à nova cepa. “Não há evidência de que a BA.3.2 esteja associada a maior gravidade da doença ou que esteja impulsionando crescimento sustentado da transmissão em nível populacional”, destacou a organização.
Diante desse cenário, os especialistas recomendam a continuidade da vacinação e o fortalecimento da vigilância epidemiológica. Dessa forma, autoridades de saúde podem acompanhar a evolução do vírus e responder rapidamente a possíveis mudanças no padrão da pandemia.