Emmanuel Macron disse que 15 países uniram esforços no sentido de reabrir o Estreito de OrmuzLudovic Marin / Pool / AFP

São Paulo - Países europeus se comprometeram a ajudar os Estados Unidos a liberar o Estreito de Ormuz, caso necessário, com a rota estratégica ainda interditada pelo Irã. O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, confirmou nesta quinta-feira, 9, que a aliança está disposta a desempenhar um papel em uma eventual missão no estreito.

O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, disse ao presidente americano, Donald Trump, que a Alemanha apoiaria uma missão para garantir as rotas marítimas, mas que primeiro precisaria de um mandato internacional, segundo a Bloomberg. Merz comentou a repórteres que tal mandato idealmente viria do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A Rússia, contudo, é um membro permanente do conselho e tem poder de veto sobre as resoluções.

Já o presidente francês, Emmanuel Macron, frisou na quarta-feira, 8, que mais de 15 nações estão trabalhando para ajudar a reabrir Ormuz. Liderada pela França, a iniciativa inclui países da Ásia, Europa e Oriente Médio.

"Cerca de 15 países estão atualmente mobilizados e participando do planejamento, liderado pela França, para permitir a implementação de uma missão estritamente defensiva em coordenação com o Irã, quando as condições forem adequadas, para facilitar a retomada do tráfego marítimo", pontuou.

Trump, em paralelo, voltou a criticar a Otan na Truth Social, alegando que a organização só tem ação se pressão é colocada sobre ela.

Rutte informou alguns países aliados que o republicano quer compromissos concretos nos próximos dias para ajudar a garantir o fluxo do Estreito de Ormuz, disseram três diplomatas europeus à Reuters.

"O secretário-geral está em contato com os aliados sobre suas discussões em Washington", disse a porta-voz da Otan, Allison Hart. "Está claro que os EUA esperam compromissos concretos e ação para garantir a liberdade de navegação no estreito", acrescentou.
Nova fase na gestão de Ormuz
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que Teerã não busca guerra, mas tampouco abrirá mão de seus "direitos legítimos", em mensagem divulgada via texto nesta quinta-feira em meio às tensões no Oriente Médio.

Khamenei reiterou que o país exigirá compensação de Estados Unidos e Israel pelos danos causados em território iraniano durante os recentes confrontos. "Certamente cobraremos a reparação de cada prejuízo e o sangue de nossos mártires", disse, ao mencionar também indenizações a feridos e vítimas da guerra.

O líder indicou ainda uma postura mais assertiva sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo. "A gestão do Estreito será levada a uma nova fase", afirmou, sem detalhar medidas concretas, em declaração que sugere possível mudança na forma de controle ou monitoramento da passagem estratégica.

No cenário doméstico, o aiatolá destacou o papel da mobilização popular como elemento de pressão nas negociações. Segundo ele, a presença contínua de cidadãos nas ruas, mesquitas e espaços públicos tem impacto direto sobre o processo diplomático. "Os gritos do povo nas ruas são eficazes nos resultados das negociações", afirmou, acrescentando que a participação popular fortalece a posição do país tanto na mesa de diálogo quanto no campo de confronto.

Khamenei também dirigiu recados a países vizinhos, especialmente do Golfo, ao afirmar que essas nações devem escolher "o lado correto". Segundo ele, Teerã ainda aguarda uma resposta considerada adequada desses governos para demonstrar "boa vontade e fraternidade", criticando a influência de potências externas na região e alertando que aliados dos EUA podem ser alvo de exploração e pressão.

O líder ainda indicou que, mesmo em um eventual período de redução das hostilidades militares, a atuação da população deve continuar, sugerindo que a pressão interna é vista como componente central da estratégia iraniana.