Abbas Araghchi mantém sua viagem para o PaquistãoKaren Minasyan / AFP
As primeiras negociações entre o Irã e os Estados Unidos ocorreram há duas semanas em Islamabad, após a implementação de um cessar-fogo.
Mas todas as tentativas de continuá-las fracassaram, apesar dos temores de que o conflito que mergulhou o Oriente Médio no caos e abalou a economia global possa reacender.
Segundo a agência de notícias estatal iraniana Isna, Araghchi tem uma reunião marcada com altos funcionários paquistaneses para transmitir as "posições e opiniões do Irã dentro da estrutura de qualquer acordo para o fim completo da guerra" no Oriente Médio.
O ministro já havia visitado Islamabad no dia anterior e de lá viajou para Omã, enquanto outros enviados iranianos retornaram a Teerã "para consultar e receber as instruções necessárias sobre questões relacionadas ao fim da guerra", informou a Isna.
Antes das reuniões entre Irã e Paquistão realizadas no sábado em Islamabad, a Casa Branca havia anunciado que o enviado de Trump, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, viajariam ao Paquistão para dar continuidade às negociações.
No entanto, Trump se recusou a permitir que eles fizessem um voo de "15 ou 16 horas" para conversas que, segundo ele, poderiam ser conduzidas por telefone.
Discordando da posição de Teerã, o presidente republicano afirmou que não havia sentido em se encontrar para "conversar sobre nada", e anunciou que o Irã revisou suas propostas minutos após o cancelamento.
"Eles nos entregaram um documento que deveria ter sido melhor e, curiosamente, assim que cancelei, em menos de dez minutos, recebemos um novo documento muito melhor", disse ele a repórteres, sem dar mais detalhes.
As últimas horas foram turbulentas em Washington, onde um homem armado foi detido durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca.
Trump duvida que o incidente esteja relacionado ao Irã, mas, mesmo assim, enfatizou que isso não o impedirá de "vencer a guerra".
O chanceler iraniano se reuniu em Islamabad com o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, um mediador importante; o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar.
No sábado, Araghchi descreveu sua viagem ao Paquistão como "muito frutífera", mas expressou ceticismo quanto às intenções de Washington. Posteriormente voou para Omã.
"Resta saber se os Estados Unidos estão realmente empenhados na diplomacia", disse ele.
Após suas reuniões em Islamabad, viajará para Moscou.
A Guarda Revolucionária iraniana declarou que não tem intenção de suspender o bloqueio, que tem afetado os mercados de energia.
"Controlar o Estreito de Ormuz e manter a sombra do seu efeito dissuasório sobre os Estados Unidos e os aliados da Casa Branca na região é a estratégia definitiva do Irã islâmico", afirmou no Telegram.
Em retaliação, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
Em um comunicado divulgado pela mídia estatal, o exército iraniano alertou que a continuação do "bloqueio, banditismo e pirataria" dos EUA provocará uma resposta.
"É preciso entender que as violações do Hezbollah estão, na prática, desmantelando o cessar-fogo", declarou Netanyahu neste domingo, em um vídeo divulgado por ocasião da reunião semanal de seu gabinete.
O grupo xiita libanês rejeitou a acusação e afirmou que continuará respondendo às violações do cessar-fogo por Israel e à ocupação do sul do Líbano.
A mídia estatal libanesa noticiou bombardeios israelenses no sul do país neste domingo.
"Aviões de guerra israelenses lançaram um ataque contra Kfar Tibnit, um dos locais incluídos no alerta", informou a Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), que especificou que houve vítimas.
Segundo os termos do cessar-fogo, Israel reserva-se o direito de agir contra "ataques planejados, iminentes ou em andamento".

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