China considera que uma ilha de regime democrático faz parte do seu territórioRenan Areias / Agência O Dia
Trump diz que discutirá venda de armas a Taiwan com Xi Jinping em visita à China
Pequim reforça oposição ao apoio militar americano
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse, na segunda-feira (11), que conversará com seu homólogo chinês, Xi Jinping, sobre a venda de armas americanas para Taiwan, uma questão a qual Pequim se opõe.
A China considera que uma ilha de regime democrático faz parte do seu território e já ameaçou usar a força para colocá-la sob seu controle. Embora tenha reconhecido apenas Pequim, Washington tornou-se um próximo aliado e fornecedor de armamento para Taiwan.
"Vou ter essa conversa com o presidente Xi. O presidente Xi gostaria que não fizéssemos isso (a venda de armas para Taiwan). Esta é uma das muitas questões sobre as quais vamos conversar", disse Trump aos repórteres antes de viajar para Pequim esta semana.
O governo da China expressou oposição à venda nesta terça-feira.
“A oposição da China à venda de armas pelos Estados Unidos à região chinesa de Taiwan é consistente e clara”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em uma entrevista coletiva.
Em virtude das chamadas "Seis Garantias" de 1982, um pilar central da política americana sobre Taiwan, os Estados Unidos declararam que não "consultariam" Pequim sobre as vendas de armas à ilha.
Trump pareceu minimizar a ideia de que a China tentaria tomar Taiwan aproveitando a redução das munições americanas depois que os Estados Unidos se uniram a Israel no ataque contra o Irã.
Após mencionar a invasão russa da Ucrânia, Trump disse sobre Taiwan: “Não acho que algo semelhante vá acontecer”.
"Acho que ficaremos bem. Tenho uma relação muito boa com o presidente Xi. Ele sabe que não quero que isso aconteça", acrescentou.
Trump, porém, também informou que os Estados Unidos estão “muito, muito longe” de Taiwan, enquanto Xi “está a 67 milhas” (pouco mais de 100 km).
"É uma pequena diferença. Mas, sabe, há muito apoio a Taiwan, por parte do Japão e de países dessa região", afirmou Trump, em referência ao apoio crescente a Taipé do governo conservador do Japão.
O arquipélago de Kinmen, controlado por Taiwan, fica a apenas duas milhas da costa chinesa, embora a ilha principal de Taiwan esteja a cerca de 160 milhas do território continental da China.
O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan prometeu nesta terça-feira "continuar reforçando a cooperação estreita" com os Estados Unidos e "desenvolver capacidades eficazes de dissuasão para manter em conjunto a paz e a estabilidade do Estreito de Taiwan".
Trump também disse que voltará a pedir a Xi que liberte Jimmy Lai, o magnata da mídia pró-democracia de Hong Kong condenado em fevereiro a 20 anos de prisão, o que equivale praticamente a uma sentença de morte para o empresário doente, de 78 anos.
O republicano, no entanto, também pareceu demonstrar compreensão em relação à posição da China, que reprimiu duramente Hong Kong após os grandes protestos pró-democracia de 2019 na ex-colônia britânica.
“Ele causou muitos problemas à China”, disse Trump sobre Lai. “Ele tentou fazer a coisa certa. Não teve sucesso, foi para a prisão e as pessoas querem que ele saia”, afirmou.

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