Trump ameaçou invadir Cuba após captura do presidente venezuelano Nicolás MaduroAFP

A Justiça dos EUA abriu nesta quarta-feira, 20, uma ação penal por homicídio contra o ex-ditador de Cuba Raúl Castro, por um caso que envolve o ataque a dois aviões nos anos 1990.
A medida, anunciada pelo Departamento de Justiça em uma coletiva de imprensa na Flórida, amplia a pressão do governo Trump contra Havana, em meio a temores de uma operação para derrubar o regime, hoje a cargo de Miguel Díaz-Canel.
Pouco após a confirmação do indiciamento, Díaz-Canel afirmou que a medida é uma ação política sem base jurídica.
Na semana passada, um funcionário do Departamento de Justiça havia dito à Reuters, também sob condição de anonimato, que as acusações contra Castro são baseadas em um incidente ocorrido em 1996, quando o ex-presidente ainda era ministro da Defesa, no qual duas aeronaves operadas pelo grupo humanitário Brothers to the Rescue - formado por pilotos cubanos exilados e radicados em Miami - foram derrubadas pela Força Aérea de Cuba. O episódio deixou quatro pessoas mortas e ampliou as tensões diplomáticas entre Havana e Washington na época.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "os EUA não vão tolerar um Estado pária abrigando operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 90 milhas do território americano". Na segunda-feira, 18, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, disse que o país não representa uma ameaça a Washington.
O secretário de Estados dos EUA, Marco Rubio, que é filho de imigrantes cubanos, divulgou nesta quarta-feira, 20, um vídeo em espanhol dirigido à comunidade cubana.
"O verdadeiro motivo pelo qual vocês não tem eletricidade, combustível ou comida é porque aqueles que controlam seu país roubaram bilhões de dólares, mas nada foi usado para ajudar o povo", afirmou.
Segundo Rubio, Trump está oferecendo "uma nova relação" entre Washington e Havana e US$ 100 milhões em alimentos e medicamentos. "Mas eles devem ser distribuídos diretamente ao povo cubano pela Igreja Católica ou por outros grupos de caridade confiáveis", acrescentou.
Ele afirmou que Trump quer oferecer aos cubanos "uma nova Cuba, na qual vocês tenham a verdadeira oportunidade de escolher quem governa o país e votar para substituí-los caso não estejam fazendo um bom trabalho".
Resposta cubana
Em resposta ao vídeo, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, chamou Rubio de " porta-voz de interesses corruptos e revanchistas" e afirmou que ele "repete seu roteiro mentiroso e tenta culpar o governo de Cuba pelo dano impiedoso que provoca o governo dos EUA ao povo cubano".
"Continua falando de uma ajuda de US$ 100 milhões que Cuba não rejeitou, mas cujo cinismo é evidente para qualquer um diante do efeito devastador do bloqueio econômico e do cerco energético", escreveu Parrilla em publicação no X.
No fim de março, Trump chegou a dizer que "Cuba é a próxima", durante um discurso no qual exaltou ações militares americanas na Venezuela e no Irã. No entanto, ele não especificou quais medidas poderiam ser adotadas contra Havana.