Irã fez ataques contra bases dos EUA na Jordânia e no BahreinReprodução / X
Os ataques representam o momento de maior tensão entre Washington e Teerã desde a trégua de 8 de abril e aconteceram pouco após o presidente Donald Trump ter afirmado que as negociações de paz entre os dois países estavam na "fase final".
A escalada começou com a derrubada de um helicóptero americano por parte do Irã, uma ação à qual Washington respondeu com bombardeios contra a República Islâmica.
As forças iranianas lançaram "mísseis de longo alcance" e "atingiram e destruíram quatro grandes alvos" na Jordânia, anunciou a Guarda Revolucionária em um comunicado citado pela agência estatal IRNA.
O Exército jordaniano informou que derrubou cinco mísseis iranianos, sem relatar vítimas ou danos materiais.
As hostilidades se estenderam a outros países do Oriente Médio, como o Bahrein, onde a Guarda também anunciou um ataque contra uma base americana.
O Exército do Kuwait afirmou que suas defesas aéreas repeliram "alvos aéreos hostis", sem mencionar inicialmente a origem do ataque. O Irã já atacou bases americanas no país.
A diplomacia iraniana afirmou nesta quarta-feira que países vizinhos do Golfo têm a "responsabilidade legal e moral" de impedir os ataques americanos e israelenses a partir de seus territórios.
Pouco antes, o Exército dos Estados Unidos anunciou a conclusão do que Trump chamou de ataque de retaliação contra o Irã devido à derrubada de um helicóptero militar Apache. O Comando Central dos Estados Unidos no Oriente Médio (Centcom) afirmou que atacou "sistemas iranianos de defesa aérea, estações de controle em solo e locais de radares de vigilância perto do Estreito de Ormuz".
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, advertiu pouco antes no X que as forças militares do país "não deixarão sem resposta nenhum ataque ou ameaça".
Possibilidade de acordo
Poucas horas antes, Trump havia declarado que as negociações para acabar com mais de três meses de guerra estavam na reta final. É questão de "dois ou três dias", disse. Mas, após a queda do helicóptero, Trump disse em uma entrevista ao canal ABC News que o país responderia "de maneira forte".
O frágil cessar-fogo entre Washington e Teerã foi testado no fim de semana, quando Irã e Israel retomaram a troca de ataques, antes do anúncio da suspensão das hostilidades. O estopim da crise foi um ataque contra Beirute, a capital do Líbano, que foi arrastado para o conflito em 2 de março, quando o movimento pró-iraniano Hezbollah lançou foguetes contra Israel.
As tropas de Israel responderam com bombardeios e uma invasão terrestre, ações que mataram mais de 3.600 pessoas. Os confrontos com o Hezbollah não foram interrompidos, apesar de duas supostas tréguas.
O Irã insiste que qualquer acordo para acabar com a guerra no Oriente Médio deve incluir a questão libanesa.
Autoridades libanesas informaram que 11 pessoas morreram na terça-feira nos bombardeios israelenses contra a cidade de Tiro. Moradores de Tiro fugiram da cidade e seguiram para Sidon, cidade ao norte do país.
Tensão em Ormuz
Na terça-feira, o chanceler iraniano pediu às forças estrangeiras que se afastem do estreito e das áreas vizinhas, com o alerta de que poderiam "ficar presas entre o fogo cruzado".
"O Estreito de Ormuz NÃO está em águas internacionais, e sim é compartilhado entre o Irã e Omã", afirmou Araghchi no X. "As forças estrangeiras próximas ao nosso território estão constantemente expostas a riscos" acrescentou.
O helicóptero Apache é a segunda aeronave tripulada que os Estados Unidos confirmaram ter sido derrubada pelo Irã, após a perda de um avião F-15 em abril. O Centcom afirmou que os dois tripulantes do helicóptero foram resgatados perto da costa de Omã.

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