Trump disse ao portal Axios que repreendeu o primeiro-ministro isralense de maneira veementeAFP

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, disse neste domingo (14) que a assinatura de um acordo de paz com o Irã ainda pode acontecer nas próximas horas, apesar de um ataque israelense contra a capital Beirute, no Líbano, que, segundo ele, atrasou o processo.

"Isto abalou tudo. Atrasou a assinatura em algumas horas. Era para acontecer agora. Agora está previsto para acontecer dentro de algumas horas", disse Trump em uma entrevista por telefone ao portal Axios.

Israel atacou os subúrbios do sul de Beirute neste domingo, uma ofensiva que matou pelo menos três pessoas. O país alegou que a ação foi uma resposta a disparos do Hezbollah, aliado do Irã, contra o norte de seu território.

Trump não escondeu a irritação com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, devido ao ataque a Beirute: "É tão ruim, eu não podia acreditar. Uma hora antes da previsão de assinatura do acordo".

Com uma sequência de palavrões, Trump disse ao Axios que repreendeu Netanyahu de maneira veemente.

"Por que Bibi (Netanyahu) teve que fazer um ataque assim?", perguntou Trump ao Axios. "Eu fiquei muito puto. Eu deixei bem claro. Ele não tem porra nenhuma de bom senso. Eu deixei isso bem claro para ele".

Teerã insiste que o Líbano deve fazer parte de qualquer acordo para acabar com a guerra mais ampla no Oriente Médio, desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no final de fevereiro.
Zelensky falou sobre guerra com Trump ao ligar para parabenizá-lo pelo aniversário
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, conversou neste domingo Trump sobre a guerra entre Ucrânia e Rússia durante uma ligação por ocasião do 80º aniversário do presidente norte-americano, informou a Presidência em Kiev.

A ligação ocorre em um momento em que as negociações lideradas pelos EUA para pôr fim ao conflito na Ucrânia - que completou quatro anos em fevereiro - foram relegadas a segundo plano pela guerra com o Irã, enquanto os avanços russos no campo de batalha mostram sinais de perder força.

"Foi uma conversa bastante substancial sobre vários temas, desde os votos de aniversário até a diplomacia e a guerra/a paz", declarou a jornalistas o assessor de Zelensky, Dmitro Litvin, acrescentando que a ligação durou "30-35 minutos".

Depois, Zelensky disse que abordará a invasão russa e os esforços de paz durante uma reunião com o presidente Trump na cúpula do G7 na França.

Ele afirmou que conversaram "sobre questões que poderiam ajudar a alcançar a paz agora, e informei o presidente sobre os últimos acontecimentos no campo de batalha e sobre como nossa posição se fortaleceu. Concordamos que falaremos mais durante nossa reunião na cúpula do G7".

Trump pressionou ambos os lados a pôr fim ao conflito, depois de prometer que encerraria a guerra em um dia após assumir o cargo, em janeiro de 2025.

Ele também insistiu reiteradamente para que a Ucrânia faça concessões à Rússia, que invadiu seu território em fevereiro de 2022.

Trump participará na próxima terça-feira (16), na França, de uma sessão de trabalho do G7 com Zelensky, mas não está prevista nenhuma reunião bilateral entre os dois, segundo um alto funcionário do governo que falou sob condição de anonimato.

O magnata republicano foi criticado por ter repreendido o líder ucraniano em uma reunião tensa na Casa Branca no ano passado, enquanto convidava o presidente russo, Vladimir Putin, para uma cúpula no Alasca em agosto de 2025.