Estados Unidos já suspenderam o bloqueio aos portos iranianosAFP / Reprodução
A assinatura do memorando de entendimento para encerrar quase quatro meses de conflito regional está programada para sexta-feira (19), data em que o Estreito de Ormuz deverá ser “completamente” reaberto, segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O bloqueio iraniano da via estratégica durante a guerra interrompeu a exportação de combustíveis a partir do Golfo, o que acelerou a inflação e causou problemas de abastecimento de fertilizantes e outros produtos.
O acordo entre Washington e Teerã também prevê o início, no prazo de 60 dias, de novas negociações para abordar temas mais delicados, como o programa nuclear do Irã e as avaliações internacionais contra o país.
"Provavelmente na sexta-feira, em um local que ainda será determinado, resolver uma nova rodada de negociações entre Irã e Estados Unidos para alcançar um acordo final", disse o chanceler iraniano, Abbas Araghchi.
A cerimônia de assinatura terá a presença do principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que disseram que Trump também poderá comparecer ao evento.
Segundo o governo suíço, a cerimônia ocorrerá em um resort de luxo na montanha Bürgenstock, próximo ao lago de Lucerna.
O local “foi proposto pelos mediadores paquistaneses e catarianos, assim como pelos Estados Unidos e pelo Irã”, informou o Ministério das Relações Exteriores da Suíça à AFP.
Trump e Vance garantiram a reabertura de Ormuz, por onde antes da guerra circulava 20% do comércio global de petróleo e gás.
Após o ataque dos Estados Unidos e de Israel que desencadeou uma guerra, Teerã fechou uma rota crucial. Em resposta, Washington impôs um bloqueio naval aos portos iranianos.
“Os navios, alguns carregados de petróleo, estão começando a sair do Estreito de Ormuz”, comemorou Trump na segunda-feira em sua rede Truth Social.
Os Estados Unidos já suspenderam o bloqueio aos portos iranianos, afirmou nesta terça-feira Majid Takht-Ravanchi, vice-ministro iraniano das Relações Exteriores.
Após o anúncio da reabertura de Ormuz, o barril de petróleo Brent, referência mundial para o petróleo, caiu abaixo de 80 dólares (R$ 419) pela primeira vez desde o início de março.
"É um documento muito poderoso e quero que seja publicado. Provavelmente muito em breve", disse Trump ao ser questionado sobre o conteúdo do acordo durante a reunião de cúpula do G7 na França.
Segundo uma autoridade americana, Trump, Vance e Ghalibaf já assinaram eletronicamente o documento.
Vance afirmou que nenhum recurso dos contribuintes americanos será destinado ao Irã em decorrência do acordo, enquanto a imprensa iraniana informou que 12 bilhões de dólares (R$ 62,9 bilhões) em ativos congelados serão liberados.
Estados Unidos e Israel pressionaram para que o Irã se desfaça de suas reservas de urânio altamente enriquecidas, realizadas enterradas após ataques americanos no ano passado.
Teerã defende seu direito de enriquecer urânio e reitera os fins pacíficos de seu programa nuclear.
Em declarações ao canal NBC, Vance afirmou que os inspetores americanos e da ONU poderão ter acesso ao Irã e ajudar a República Islâmica "a destruir suas reservas altamente enriquecidas" de urânio.
O país foi arrastado para a guerra regional quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel para vingar o assassinato do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Israel respondeu com bombardeios e uma invasão terrestre.
Esta frente pode ser “o maior obstáculo” para as próximas negociações, afirmou Ross Harrison, investigador do Middle East Institute.
As autoridades israelenses condenaram rapidamente o acordo, chamado pelo jornal ultraconservador Vatan-e Emrooz como o “documento da rendição de Trump”.
O chanceler iraniano insistiu nesta terça-feira que encerrar a guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, era “a questão mais importante” do acordo.
"Acabar com a guerra no Líbano é parte inseparável do fim completo da guerra", disse Araghchi.
Ainda assim, pelo menos quatro pessoas morreram nesta terça-feira em bombardeios israelenses na região de Nabatieh, no sul do Líbano, segundo a agência oficial libanesa NNA.

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