Cidade autônoma de Ceuta faz fronteira com o MarrocosReprodução / X
— (@mysteryWN) July 30, 2026
A Itália pediu hoje que a Espanha fosse suspensa do espaço Schengen, de livre circulação, por sua política migratória "equivocada". Centenas de pessoas continuavam entrando em massa nesta quinta-feira no território de apenas 18,5 km², pulando a cerca na fronteira ou a nado, o que levou o Ministério do Interior a anunciar que "as Forças Armadas vão reforçar a Guarda Civil para manter a segurança na cidade de Ceuta".
A TV pública mostrou que agentes da Guarda Civil limitavam-se a vigiar a entrada dos imigrantes nas proximidades de um posto fronteiriço ao sul de Ceuta.
Esta é a maior entrada de pessoas em Ceuta desde maio de 2021, quando mais de 10 mil imigrantes chegaram à cidade autônoma procedentes do Marrocos em apenas dois dias.
Devolução 'o quanto antes'
O governo espanhol definiu com o Marrocos medidas para devolver "o quanto antes" ao país "todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta". O chefe do Executivo, Pedro Sánchez, viajará nesta sexta-feira (31) a Ceuta, acompanhado do ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska.
"Estamos em uma situação de absoluta emergência humanitária e social", advertiu o prefeito-presidente de Ceuta, Juan Vivas, em entrevista ao canal público TVE. "Nos últimos dias, mais de 1.500 imigrantes chegaram a Ceuta por via marítima", em um ritmo de "200 pessoas por dia", de modo que "os centros de acolhimento estão colapsados e superlotados", ressaltou.
Crise com o Marrocos
Já a Itália expressou descontentamento com a Espanha ao sugerir a suspensão desse país do espaço Schengen. "As imagens que chegam de Ceuta mostram o quanto a decisão do Governo de Madri de conceder a cidadania espanhola" a imigrantes irregulares "é profundamente equivocada e fomenta o tráfico de pessoas", publicou no X o chanceler italiano, Antonio Tajani. O governo espanhol considerou a mensagem "imprópria" e anunciou que vai convocar o embaixador italiano.
A entrada de mais de 10 mil imigrantes em Ceuta em maio de 2021 ocorreu quando o governo marroquino flexibilizou os controles fronteiriços, em meio a uma crise com a Espanha. Naquela ocasião, o Marrocos ficou indignado depois que a Espanha recebeu, para tratamento médico, o líder dos independentistas saarauís da Frente Polisário, apoiados pela Argélia.
A crise diplomática chegou ao fim em 2022, após a mudança de posição de Madri sobre a delicada questão do Saara Ocidental, abandonando sua neutralidade e reconhecendo um plano de autonomia proposto por Marrocos para essa antiga colônia espanhola.
A principal rota de entrada de imigrantes irregulares na Espanha continua sendo o arquipélago das Canárias, em frente à costa africana.

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