Esmaeil Baqaei, porta-voz da diplomacia, disse que país que aderir à campanha dos EUA 'terá suas próprias consequências'AFP
Neste domingo (23), o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, escreveu no jornal Financial Times que Washington estava implementando "a maior ofensiva financeira jamais organizada contra um adversário", que ele chamou de "Dia D econômico".
Bessent publicou na rede social X que a medida acontece depois que os Estados Unidos "desmantelaram as capacidades militares do Irã, destruíram quase 100% de suas fábricas militares e enterraram seu programa nuclear".
Em resposta, o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que "a narrativa não se sustenta". "Vocês dizem que o poder militar do Irã foi 'desmantelado', que 100% de suas fábricas militares foram 'destruídas' e que o programa nuclear foi 'enterrado'", ressaltou.
A ação contra o Irã, no entanto, exige a mobilização de "todas as instituições e poderes" dos Estados Unidos, acrescentou. "Isso é uma vitória ou o reconhecimento da derrota dos Estados Unidos?", questionou.
Além disso, o Ministério das Relações Exteriores do Irã advertiu os países a se absterem de aderir à campanha econômica dos Estados Unidos. O porta-voz da diplomacia, Esmaeil Baqaei, disse que participar "terá suas próprias consequências".
Advertências
Neste domingo, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, alertou que qualquer país que aderir à guerra econômica lançada por Washington será considerado "inimigo".
Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra no Oriente Médio com uma onda de ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, o que provocou retaliações iranianas em toda a região. Um cessar-fogo iniciado em 8 de abril encerrou quase 40 dias de bombardeios intensos, mas o controle do Estreito de Ormuz se tornou um ponto crítico central do conflito.
O Irã controla a rota vital para o comércio de combustíveis desde o início da guerra. A reabertura do estreito virou uma prioridade para os Estados Unidos, mas Teerã insiste que a via permanecerá fechada até que Washington suspenda o bloqueio sobre os portos iranianos, elimine as sanções petrolíferas e descongele os ativos iranianos no exterior.
Pressão "sem precedentes"
Em um artigo publicado nesta segunda-feira no jornal iraniano Ettela'at, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirma que as relações com a China "adquiriram dimensões mais profundas, mais estruturais e mais amplas".
O Irã enfrenta sanções americanas e internacionais desde a revolução islâmica de 1979.
Trump emprega uma política de "máxima pressão" por meio de sanções econômicas contra o Irã desde que retornou à presidência em janeiro de 2025, após uma estratégia similar durante seu primeiro mandato. O Irã classificou a política de sanções como um fracasso e insiste que a pressão econômica e as ameaças não obrigarão o país a mudar de rumo.

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