Esmaeil Baqaei, porta-voz da diplomacia, disse que país que aderir à campanha dos EUA 'terá suas próprias consequências'AFP

O Irã desafiou abertamente nesta segunda-feira (24) a ameaça dos Estados Unidos sobre uma enorme campanha de pressão econômica e emitiu uma advertência aos países que pretendem aderir à iniciativa.

Neste domingo (23), o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, escreveu no jornal Financial Times que Washington estava implementando "a maior ofensiva financeira jamais organizada contra um adversário", que ele chamou de "Dia D econômico".

Bessent publicou na rede social X que a medida acontece depois que os Estados Unidos "desmantelaram as capacidades militares do Irã, destruíram quase 100% de suas fábricas militares e enterraram seu programa nuclear".

Em resposta, o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que "a narrativa não se sustenta". "Vocês dizem que o poder militar do Irã foi 'desmantelado', que 100% de suas fábricas militares foram 'destruídas' e que o programa nuclear foi 'enterrado'", ressaltou.

A ação contra o Irã, no entanto, exige a mobilização de "todas as instituições e poderes" dos Estados Unidos, acrescentou. "Isso é uma vitória ou o reconhecimento da derrota dos Estados Unidos?", questionou.

Além disso, o Ministério das Relações Exteriores do Irã advertiu os países a se absterem de aderir à campanha econômica dos Estados Unidos. O porta-voz da diplomacia, Esmaeil Baqaei, disse que participar "terá suas próprias consequências".

Advertências
"As advertências necessárias definitivamente já foram apresentadas, porque qualquer cumplicidade com os Estados Unidos na execução de suas ações agressivas contra o Irã terá, sem dúvida, suas próprias consequências", afirmou Baqaei em uma entrevista coletiva.

Neste domingo, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, alertou que qualquer país que aderir à guerra econômica lançada por Washington será considerado "inimigo".

Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra no Oriente Médio com uma onda de ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, o que provocou retaliações iranianas em toda a região. Um cessar-fogo iniciado em 8 de abril encerrou quase 40 dias de bombardeios intensos, mas o controle do Estreito de Ormuz se tornou um ponto crítico central do conflito.

O Irã controla a rota vital para o comércio de combustíveis desde o início da guerra. A reabertura do estreito virou uma prioridade para os Estados Unidos, mas Teerã insiste que a via permanecerá fechada até que Washington suspenda o bloqueio sobre os portos iranianos, elimine as sanções petrolíferas e descongele os ativos iranianos no exterior.

Pressão "sem precedentes"
Na última semana, o presidente americano, Donald Trump, anunciou que Washington aumentaria a pressão econômica sobre o Irã para "uma escala sem precedentes". Washington pressiona outros governos, incluindo a China, a aderir aos esforços para isolar ainda mais a economia iraniana.

Em um artigo publicado nesta segunda-feira no jornal iraniano Ettela'at, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirma que as relações com a China "adquiriram dimensões mais profundas, mais estruturais e mais amplas".

O Irã enfrenta sanções americanas e internacionais desde a revolução islâmica de 1979.

Trump emprega uma política de "máxima pressão" por meio de sanções econômicas contra o Irã desde que retornou à presidência em janeiro de 2025, após uma estratégia similar durante seu primeiro mandato. O Irã classificou a política de sanções como um fracasso e insiste que a pressão econômica e as ameaças não obrigarão o país a mudar de rumo.