Leão XIV, de 71 anos, está à frente da Igreja Católica desde maio de 2025AFP
"O papa Leão XIV passou uma noite tranquila", informou o Vaticano na manhã desta quarta-feira, sem revelar mais detalhes.
Os cirurgiões operaram o pontífice nesta terça-feira (13) para retirar o lobo inferior do pulmão direito, onde estava localizado o tumor. A operação "confirmou o diagnóstico de um adenocarcinoma pulmonar, como sugeriam os exames pré-operatórios", informou a Santa Sé.
Segundo a especialista Juanita Mora, porta-voz da American Lung Association (Associação Americana do Pulmão, em tradução livre), quando este tipo de câncer é detectado em fases iniciais, o prognóstico é "muito, muito bom".
A médica ressaltou que tudo dependerá do estágio do câncer detectado e se a doença se espalhou. Segundo a especialista, a taxa de sobrevivência em cinco anos para esta forma de câncer, quando o tumor é detectado em estágio precoce, é de "80% a 98%, em particular após uma retirada cirúrgica".
Os médicos "determinarão se [o papa] precisa de quimioterapia, radioterapia, terapia direcionada ou imunoterapia", acrescentou.
Recuperação
Em novo comunicado, o Vaticano informou que Leão XIV apresenta uma "evolução pós-operatória normal" e que os exames de sangue e radiografia torácica estão "dentro da normalidade". O pontífice também começou a andar em seu quarto e fez exercícios de fisioterapia respiratória, segundo o comunicado, que cita os médicos do papa.
Incerteza
A impactante notícia da doença, pouco mais de um ano após a eleição, abalou a Igreja Católica, segundo vaticanistas. "O papado entrou em uma nova etapa, marcada por um grau considerável de incerteza", afirmou o jornal italiano La Repubblica.
Todos os compromissos do papa foram cancelados até o dia 20 de outubro. A situação provoca dúvidas sobre a viagem programada para novembro ao Uruguai, Argentina e Peru. Leão XIV trabalhou como missionário neste último país durante duas décadas e obteve a nacionalidade peruana.
Leão XIV anunciou no último domingo (11), após a oração do Ângelus, que os médicos haviam detectado o nódulo – uma pequena protuberância – "em uma fase muito inicial" durante alguns exames recentes. "Os médicos consideram conveniente intervir e, portanto, seguindo os conselhos deles, decidi submeter-me a uma operação para removê-lo", explicou.
O Vaticano é, historicamente, pouco claro a respeito da saúde dos papas, mas passou a ser mais transparente durante a doença do antecessor de Leão XIV, o argentino Francisco, que falava abertamente de suas doenças e faleceu em abril de 2025.
A Santa Sé informou à reportagem que o nódulo foi detectado durante um exame de rotina e que não houve sintomas que levassem a examinar os pulmões do papa.

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