Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública divulgação

Como suportar o avanço avassalador da criminalidade no Rio de Janeiro? Essa é uma pergunta que 10 a cada 10 cariocas fazem na atualidade. O pior é que não se tem resposta. De concreto mesmo somente os números que não param de crescer. Dados recentes do Instituto Fogo Cruzado mostram que o número de confrontos armados envolvendo disputas entre grupos armados na região metropolitana do Rio de Janeiro bateu um recorde, sendo três vezes maior que a média dos últimos nove anos.
Esse resultado é um recorde, registrando 34 confrontos diretos entre facções e/ou milícias em apenas quatro semanas. Somente no mês de maio, pelo menos 19 pessoas foram baleadas, dez morreram e nove ficaram feridas nessas ocorrências. O número é três vezes maior que a média mensal dos últimos nove anos, que era de dez casos.
E não para por aí. Outro dado preocupante é o número de confrontos armados que ocorreram durante ações policiais, tendo aumentado desde o início da atual gestão, que vem combatendo a criminalidade, com a morte de mais de 352 jovens. Segundo o próprio Instituto, de janeiro a maio de 2025, foram mais de mil tiroteios na região metropolitana, sendo que mais de 440 ocorreram durante ações da polícia. Um aumento de 20% nesse tipo de ocorrência, com consequente crescimento de 7% no número de mortos e 21% no número de feridos por arma de fogo no período.
Vale ressaltar que o Rio de Janeiro está na contramão do país, ou seja, enquanto o Brasil reduziu os índices de violência em 2025, o Estado do Rio registrou alta de 6% nas mortes violentas e de 34,4% nas mortes causadas por policiais de janeiro, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Também houve aumento no número de agentes de segurança mortos no estado, o que impactou o resultado nacional, levando o país a registrar alta de 1,4%. Só no Rio, o número até maio mais que dobrou, passando de 18 para 37, uma alta de 106%. E quando o recorte são as temíveis balas perdidas a cidade carioca concentra 34 dos 41 casos de balas perdidas.
É preciso reavaliar a forma de combater a criminalidade no Estado e, essencialmente, na Cidade do Rio. Não há outro caminho se não o de reocupar o território dominado pelos criminosos, asfixiando o movimento financeiro e potencializando o enfrentamento, com maior efetivo nas ruas, apoio federal nas fronteiras e desarticulando o trânsito de drogas e armas. Ou intensificamos as ações policiais, ou continuaremos perdendo para a criminalidade que não irá parar de crescer.
Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública