Quando falamos em sustentabilidade, muitos pensam em conferências internacionais ou relatórios distantes. Mas a verdade é que ela começa perto de nós: na rua, no bairro, na escola, no comércio local. É no dia a dia, dentro das cidades, que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ganham vida.
O Brasil é um país de contrastes. Temos uma natureza riquíssima, mas convivemos com centros urbanos densos, onde mobilidade, poluição e descarte irregular de resíduos são desafios permanentes. A questão é: como conciliar crescimento urbano com preservação ambiental e qualidade de vida?
A densidade urbana não precisa significar caos. Pode ser uma oportunidade de reinventar a forma como moramos, trabalhamos e consumimos. O consumo consciente, por exemplo, vai além de comprar menos: é um ato político que influencia cadeias produtivas e reduz a pressão sobre recursos naturais. A preservação ambiental nas cidades passa por soluções práticas. A gestão de resíduos é um exemplo. O descarte irregular ainda prejudica rios, solos e a saúde da população. Separar o lixo em casa, estimular a coleta seletiva e apoiar cooperativas de catadores são atitudes simples que, somadas, geram grande impacto.
Espaços verdes urbanos — praças, parques e hortas comunitárias — também cumprem papel vital: purificam o ar, reduzem o estresse e aproximam as pessoas.
Outro pilar é a educação ecológica. Sustentabilidade não deve ser tema isolado em Ciências, e sim trabalhado de maneira transversal em diversas disciplinas. E as famílias também podem ser protagonistas neste processo. Em vez de somente falar sobre sustentabilidade, o ideal é colocar em prática atitudes sustentáveis. Ou seja, ensinar pelo exemplo. Uma criança que aprende a economizar água, respeitar os animais e reaproveitar materiais será, no futuro, um adulto mais consciente. A educação ambiental é a chave para cidades equilibradas e resilientes.
Políticas públicas também são fundamentais. O Estado deve planejar e fiscalizar, mas a transformação só acontece com participação da sociedade. É na união entre governo, empresas e comunidade que surgem soluções inovadoras: transporte coletivo de qualidade, uso de energias limpas, incentivo ao comércio local e reciclagem criativa, só para citar algumas iniciativas.
O ODS 11, que trata de “Cidades e comunidades sustentáveis”, nos lembra que não basta crescer: é preciso crescer com equilíbrio. O Brasil pode ser referência nesse debate, pois alia urbanização intensa e vastos recursos naturais. Para isso, precisamos sair do discurso e adotar práticas cotidianas. Sustentabilidade não é apenas plantar uma árvore ou usar sacolas reutilizáveis, embora isso ajude. É entender que cada escolha impacta a coletividade. A cidade é um organismo vivo, que precisa de cuidado. Se quisermos cidades mais justas, verdes e humanas, o momento é agora. A transformação começa em nós: na forma como consumimos, nos deslocamos, nos educamos e cuidamos do espaço comum. Sustentabilidade não é luxo; é condição para garantir às próximas gerações um Brasil mais saudável e equilibrado.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.