Raul VellosoDivulgação
Por aqui, de forma um tanto confusa, anunciou-se um conjunto de medidas de apoio aos setores afetados, com custos para os cofres públicos, em termos de novas linhas de crédito, entre outros itens do tipo, que podem chegar ao redor da bagatela de R$ 30 bilhões. Aos poucos, se tomará conhecimento da real dimensão dessa expressiva “pedrada” sobre nossas costas, e se se poderá fazer uma melhor avaliação do seu impacto sobre as variáveis críticas de nossa economia.
Além dos impactos desastrosos sobre emprego, entre outras importantes variáveis setoriais e macroeconômicas que serão afetadas, não poderia haver momento mais difícil para tal cataclisma eclodir sobre nós. Nesse sentido, é inacreditável que o atual governo venha demonstrando tamanha ineficácia para lidar com algo tão grave como se tem visto até agora por aqui. (Exporei rapidamente a seguir os principais pontos que me parecem super relevantes para termos em mente nesse tipo de discussão em nosso País, longe de se esgotarem em apenas um artigo da reduzida dimensão deste).
--Tendo o elevado impacto acima referido em mente, qual seria o real “x” da questão para nós, ao estourar o tarifaço? Na verdade, penso que o real problema número um que o País precisa enfrentar para valer, e de que muitos ainda não se deram conta, se trata do desastroso desequilíbrio fiscal que há muito assolou por aqui, e que essa última “bomba”, o “trumpismo”, só veio agravar. Tal “x” nem de longe se assemelha com o da China ou de outros países que se destacam na discussão do momento.
Ou seja, hoje temos um déficit público – efetivo ou potencial - bastante elevado, mesmo sem os efeitos do tarifaço, imagina com eles...
Mas onde está o “x” da questão, no detalhe? Trata-se do desequilíbrio previdenciário, que é gigantesco em nosso País, e não apenas deixamos de “comprar” esse diagnóstico (talvez por medo desenfreado do desgaste político), como de reconhecê-lo explicitamente, explicar qual seria o diagnóstico relevante e quais as medidas de ajuste mais eficazes a adotar.
Para concluir, esperando continuar a discussão em breve, saliento que o peso da despesa previdenciária (inclusive o BPC) no gasto não-financeiro total acabou de alcançar nada menos do que 58,5%. Chocante, hein?

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