Há 105 anos, no mesmo dia em que o Brasil celebrava sua independência, nascia a maior universidade federal do Brasil. A UFRJ surgiu da reunião das atuais Escola Politécnica (criada em 1792), Faculdade de Medicina (criada em 1808) e Faculdade Nacional de Direito (criada em 1891) e serviu de modelo para as demais universidades. Sua trajetória é marcada pela excelência no ensino, pesquisa, extensão e assistência à saúde.
Com um corpo social de 85 mil pessoas, a UFRJ é maior que grande parte das cidades brasileiras; um ecossistema com 40 prédios tombados, 44 bibliotecas, 19 entes museais, 9 unidades de saúde e um Parque Tecnológico de ponta que impulsiona a inovação nacional. Somente no campus da Cidade Universitária cerca de 100 mil pessoas circulam diariamente.
Por aqui passaram e foram formadas mentes brilhantes que contribuíram para os rumos do país, como Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Miguel Couto, Oscar Niemeyer, Cândido Portinari, Osvaldo Aranha, Jorge Amado, Vinícius de Moraes, Clarice Lispector, Sérgio Buarque de Holanda, Mario Henrique Simonsen, Maria da Conceição Tavares, entre outros. Pesquisas desenvolvidas na UFRJ foram fundamentais para a descoberta de petróleo e gás natural na camada do pré-sal, um feito tecnológico que colocou o Brasil no mapa energético mundial. Oferecemos 175 cursos de graduação, com 9 mil vagas por ano no SISU. Com 136 programas stricto-sensu (mestrado e doutorado), somos responsáveis por 10% de toda a pós-graduação de padrão internacional do país. Em 2025, fomos eleitos a melhor universidade federal do Brasil, pelo Center for World University Rankings (CWUR).
E fazemos isso com uma missão clara: ser um motor de transformação social. Ampliamos nossas vagas em 50% e implementamos ações afirmativas que tornaram a universidade mais diversa e plural: 42% dos nossos alunos de graduação são negros e 30% têm renda familiar de até 1,5 salário-mínimo. Uma grande contradição: maior grandeza, menos recursos. Nosso impacto é colossal, mas nosso orçamento discricionário encolheu drasticamente. Desde 2012, nossos recursos caíram pela METADE. Enquanto recebíamos R$ 809 milhões (corrigidos pelo IPCA), hoje operamos com apenas R$ 403 milhões.
Como manter equipamentos de ponta com tão pouco? Como garantir permanência e qualidade de vida para milhares de estudantes que dependem da universidade para se alimentar e se locomover? Como atrair e reter os melhores cérebros sem investimento?
Para enfrentar esses desafios, estamos propondo um projeto denominado “Cidade do Saber”, que utilizaria o modelo do Minha Casa, Minha Vida para construir residências universitárias. Além disso, o modelo de financiamento a pesquisa deve ser mudado. Não cabe mais o lançamento de editais pulverizados, onde as Universidade competem entre si. Há que se ter um modelo que estimule a parceria entre as Universidades e Institutos de Pesquisa com foco no desafio de resolver grande problemas nacionais, como o de impulsionar a Nova Indústria Brasil.
A UFRJ é um patrimônio nacional estratégico. Para continuarmos a formar cidadãos críticos, gerar inovação que move a economia e oferecer saúde e cultura à população, é necessário um pacto pela sua grandeza. Precisamos de mais investimento público e de parcerias robustas com o setor produtivo. Só assim esta fábrica de ideias e talentos continuará contribuindo para um Brasil mais justo, democrático, desenvolvido e soberano.
UFRJ - história que inspira, futuro que transforma!
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