O Conselho Federal de Nutrição (CFN) está debatendo com a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados a regulação de suplementos alimentares. A preocupação é a necessidade de ampliar o controle e a fiscalização sobre a produção, a comercialização e o consumo desses produtos no Brasil.
O tema ganhou espaço porque, nos últimos dez anos, o Brasil vem registrando mudanças preocupantes nos hábitos alimentares. Pesquisas mostram que a população tem consumido cada vez mais alimentos ultraprocessados, ricos em calorias e pobres em nutrientes essenciais. Esse cenário coloca em risco a saúde e abre caminho para a falsa ideia de que suplementos alimentares podem, sozinhos, compensar uma dieta desequilibrada.
A correria do dia a dia e o desejo de resultados rápidos levaram muitos brasileiros a buscarem alternativas práticas. Entre elas, os suplementos vitamínicos e alimentares ganharam destaque. Pílulas, shakes e pós parecem, à primeira vista, soluções fáceis para quem busca energia, disposição ou melhora da imunidade. Porém, quando usados de forma indiscriminada e sem acompanhamento médico e nutricional, podem trazer riscos à saúde.
É importante entender que suplementos não são substitutos de refeições. Eles foram desenvolvidos para atender situações específicas, como em casos de deficiências comprovadas, atletas de alto rendimento ou pacientes com necessidades especiais. Fora disso, seu uso exagerado pode até sobrecarregar o organismo e causar efeitos indesejados.
A verdadeira fonte de energia e saúde está naquilo que colocamos diariamente no prato. Uma alimentação equilibrada deve ser baseada em macronutrientes (proteínas, carboidratos e gorduras) e micronutrientes (vitaminas e minerais), distribuídos de forma adequada ao longo do dia.
Isso significa dar preferência a alimentos frescos e variados: arroz, feijão, legumes, verduras, frutas e proteínas de qualidade. Esses alimentos, além de nutritivos, fornecem fibras e compostos bioativos que nenhum suplemento consegue reproduzir por completo.
Mais do que regular a indústria de suplementos, é fundamental investir em políticas públicas de educação alimentar. Campanhas que incentivem o consumo de alimentos naturais e a redução de ultraprocessados são essenciais para mudar a relação dos brasileiros com a comida. Nesse processo, o nutricionista tem papel central: orientar, educar e ajudar cada pessoa a compreender suas necessidades energéticas e nutricionais, transformando o prato em um aliado da saúde.
Ao invés de apostar em soluções rápidas, precisamos resgatar o valor da comida de verdade. Comer bem não significa gastar mais ou perder tempo, mas sim fazer escolhas conscientes que vão refletir em qualidade de vida e prevenção de doenças.
Suplementos podem ter o seu lugar, mas jamais substituirão a riqueza de uma refeição completa. O futuro da nossa saúde está em pratos coloridos, variados e nutritivos, que contemplem as necessidades do corpo sem excessos ou atalhos perigosos.
No fim das contas, a lição é simples: quanto mais próximo da natureza estiver o alimento, mais distante estaremos das doenças. A comida de verdade é, e sempre será, o melhor suplemento para a vida.
Bianca Oliveira é nutricionista especializada em nutrição clínica e gerontologia, e endocrinologia e metabologia
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