Raul VellosoReprodução
Em um passo atrás em relação ao que se costuma fazer, penso que o diagnóstico macroeconômico relevante para o Brasil de hoje tem de começar mais pelo lado da demografia do que pelo da macroeconomia convencional. O conceito básico é o da Razão de Dependência de Idosos (RDI), que se mede em %, onde RDI é obtida após calcular, primeiro, o item ED, que compõe o seu numerador e se refere ao número de pessoas no segmento etário definido como Economicamente Dependente, em que se identifica o número de pessoas nas parcelas mais frágeis da população para os fins deste artigo, ou seja, aquelas abaixo de 15 e acima de 65 anos. E, paralela e automaticamente, identifica-se o item PP, cuja tradução é Potencialmente Produtivo, ou seja, o que sobra após fechar a apuração do conjunto dos economicamente dependentes.
A importância de se medirem indicadores como as RDI tem a ver com o elo que se detecta entre as RDI e os gastos previdenciários e assemelhados do País em causa. Ou seja, quanto maiores os seus valores, mais elevadas serão as despesas com previdência e assistência social dos entes públicos envolvidos, o que tende a dificultar sobremaneira a gestão financeira respectiva.
Para governos, como o nosso, que vêm testemunhando, impávidos, uma forte subida das RDI, o acompanhamento e a busca de solução para as pressões financeiras que se estão criando e se desdobrando em várias frentes de batalha é algo super bem-vindo, a exemplo de um potente esforço de equacionamento (ou zeragem) dos passivos atuariais que devem estar se acumulando nas citadas frentes. Sem o resultado de tal esforço de ajustamento que deveria ser priorizado, as autoridades que supervisionam tais áreas acabarão sendo induzidas a reduzir drasticamente seus investimentos em infraestrutura, por serem os itens supostamente mais flexíveis dos orçamentos, embora ao mesmo tempo cruciais para a viabilização de taxas mais elevadas de crescimento do PIB e do emprego que resultariam alternativamente. Ou seja, ou se faz o citado equacionamento, ou o crescimento do PIB e do emprego é que acabam pagando a conta. Resta saber em que pé nosso País está posicionado nessa questão.
Passando a alguns dos levantamentos observados mais recentemente, segundo estudos de entidades internacionais que cobrem, primeiro, o período de 65 anos entre 1950 e 2015, então, as RDI, que tinham alcançado, em 1950, a marca de cerca de 5% no caso brasileiro, e, ao lado disso, algo ao redor do dobro desse valor tanto nos Estados Unidos como na Europa (nestes últimos dois casos cerca de 12%), acabaram se posicionando sobre trajetórias ascendentes que, ao longo do tempo, terminaram estacionando sobre marcas próximas do dobro das registradas em 1950 (11 relativamente a 5% no Brasil, e 22/26 comparativamente a 12% nos EEUU e na Europa), mantendo mais ou menos intacta a relação entre as três trajetórias.
Já se olhássemos mais à frente para o ano de 2055, constataríamos que, agora, a RDI do Brasil aumentaria bastante relativamente à média das demais nações, no caso para um número que representaria algo ao redor de 3,5 vezes o que teria de fato ocorrido em 2015. Quanto ao caso dos Estados Unidos, o aumento não seria tão expressivo como teria ocorrido no caso do Brasil, mas mesmo assim seria algo bastante relevante. Já no caso da Europa, na comparação 2015-2055, teria havido um aumento nada trivial, da ordem de 100%, mas ainda assim em percentual inferior ao que teria ocorrido no caso brasileiro...
Finalmente, para encerrar a análise com base no mesmo tipo de gráfico, ver-se-á que, ao se aproximar o ano de 2095, projetar-se-ão Brasil e Europa terminando até relativamente próximos entre si na comparação 2055-2095, com uma RDI 1,5 vez maior, no caso do Brasil, e 1,2 vez, no caso da Europa, respectivamente.
A importância de se medirem indicadores como as RDI tem a ver com o elo que se detecta entre as RDI e os gastos previdenciários e assemelhados do País em causa. Ou seja, quanto maiores os seus valores, mais elevadas serão as despesas com previdência e assistência social dos entes públicos envolvidos, o que tende a dificultar sobremaneira a gestão financeira respectiva.
Para governos, como o nosso, que vêm testemunhando, impávidos, uma forte subida das RDI, o acompanhamento e a busca de solução para as pressões financeiras que se estão criando e se desdobrando em várias frentes de batalha é algo super bem-vindo, a exemplo de um potente esforço de equacionamento (ou zeragem) dos passivos atuariais que devem estar se acumulando nas citadas frentes. Sem o resultado de tal esforço de ajustamento que deveria ser priorizado, as autoridades que supervisionam tais áreas acabarão sendo induzidas a reduzir drasticamente seus investimentos em infraestrutura, por serem os itens supostamente mais flexíveis dos orçamentos, embora ao mesmo tempo cruciais para a viabilização de taxas mais elevadas de crescimento do PIB e do emprego que resultariam alternativamente. Ou seja, ou se faz o citado equacionamento, ou o crescimento do PIB e do emprego é que acabam pagando a conta. Resta saber em que pé nosso País está posicionado nessa questão.
Passando a alguns dos levantamentos observados mais recentemente, segundo estudos de entidades internacionais que cobrem, primeiro, o período de 65 anos entre 1950 e 2015, então, as RDI, que tinham alcançado, em 1950, a marca de cerca de 5% no caso brasileiro, e, ao lado disso, algo ao redor do dobro desse valor tanto nos Estados Unidos como na Europa (nestes últimos dois casos cerca de 12%), acabaram se posicionando sobre trajetórias ascendentes que, ao longo do tempo, terminaram estacionando sobre marcas próximas do dobro das registradas em 1950 (11 relativamente a 5% no Brasil, e 22/26 comparativamente a 12% nos EEUU e na Europa), mantendo mais ou menos intacta a relação entre as três trajetórias.
Já se olhássemos mais à frente para o ano de 2055, constataríamos que, agora, a RDI do Brasil aumentaria bastante relativamente à média das demais nações, no caso para um número que representaria algo ao redor de 3,5 vezes o que teria de fato ocorrido em 2015. Quanto ao caso dos Estados Unidos, o aumento não seria tão expressivo como teria ocorrido no caso do Brasil, mas mesmo assim seria algo bastante relevante. Já no caso da Europa, na comparação 2015-2055, teria havido um aumento nada trivial, da ordem de 100%, mas ainda assim em percentual inferior ao que teria ocorrido no caso brasileiro...
Finalmente, para encerrar a análise com base no mesmo tipo de gráfico, ver-se-á que, ao se aproximar o ano de 2095, projetar-se-ão Brasil e Europa terminando até relativamente próximos entre si na comparação 2055-2095, com uma RDI 1,5 vez maior, no caso do Brasil, e 1,2 vez, no caso da Europa, respectivamente.
Só que, como resumo final, o Brasil terminaria o período total considerado (1950-2095) crescendo sua RDI 11,2 vezes acima (melhor dizendo, bem acima do que estaria ocorrendo com o Continente Europeu – nesse último caso, 5 vezes), o que seria bem pior para nós, muito embora a Europa mostrasse um desempenho ainda pior (ou seja, um crescimento total maior ainda), comparativamente ao que ocorria com os Estados Unidos. Nesse sentido, o posicionamento relativo de nosso País, em termos do grau de envelhecimento populacional, é bem mais frágil do que o do mundo desenvolvido. Ou seja, nossas autoridades precisam basicamente concentrar esforços na realização do chamado equacionamento atuarial (ou rumo à zeragem dos seus passivos atuariais).

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