Cintia Medvedovskydivulgação
Da audiência ao varejo: creators como motor de novas marcas líderes
O varejo vive uma mudança silenciosa, porém profunda: as marcas já não nascem apenas de pesquisas de mercado ou de grandes estratégias publicitárias, mas de relações construídas diariamente no ambiente digital. Nesse contexto, creators deixaram de ser intermediários entre marcas e consumidores para assumir um papel central na criação de produtos, na definição de tendências e na liderança de categorias inteiras. A creator economy amadureceu e, com ela, a influência deixou de ser apenas mídia para se tornar uma verdadeira infraestrutura de negócios.
Se antes a audiência representava o objetivo final, hoje ela é apenas o ponto de partida. O maior ativo dos creators está na confiança e na proximidade com suas comunidades. Diferentemente das marcas tradicionais, que precisam investir tempo e recursos para construir identidade, relevância e legitimidade, os criadores já operam a partir de um capital simbólico consolidado. Quando lançam um produto, não apresentam apenas uma novidade ao mercado, mas a continuidade de um estilo de vida, de valores e de escolhas acompanhadas de perto pelo público.
Essa dinâmica explica por que produtos liderados por creators conseguem escalar rapidamente e ocupar posições de destaque no varejo físico e digital. O caminho da audiência até a gôndola não passa por campanhas publicitárias convencionais, mas por narrativas contínuas, demonstrações reais e conversas constantes. O lançamento deixa de ser um evento pontual para se tornar um processo coletivo, sustentado por prova social orgânica e pelo uso recorrente do próprio criador. O creator não apenas comunica o produto: ele o incorpora.
Outro fator decisivo está na leitura apurada de comportamento e timing. Creators vivem o ritmo da cultura, entendem tendências emergentes e percebem com rapidez as dores e desejos do seu público. Essa sensibilidade se traduz em produtos mais assertivos, com estética, preço e funcionalidade alinhados ao cotidiano do consumidor. O resultado é um varejo mais responsivo, menos dependente de apostas de longo prazo e cada vez mais orientado por validações constantes.
Nesse cenário, os modelos de licenciamento e co-criação ganham protagonismo. Marcas que compreendem a creator economy como parte da estrutura do negócio — e não apenas como uma ferramenta de divulgação — conseguem acelerar sua entrada em novas categorias, reduzir riscos e construir portfólios mais relevantes. O creator deixa de ser apenas o rosto de uma campanha e passa a atuar como parceiro estratégico, influenciando decisões, narrativas e a longevidade do produto.
À medida que esse ecossistema se consolida, fica claro que nem todo criador se tornará um produto líder de categoria. No entanto, aqueles que conseguem alinhar comunidade, consistência e visão empresarial passam a operar em outro nível. O futuro do varejo está menos na disputa por atenção e mais na capacidade de transformar relações em marcas, confiança em recorrência e audiência em valor sustentável.
Por Cintia Medvedovsky, CEO e fundadora da Ziggle, agência boutique especializada em licenciamento de marcas nativas digitais e fenômenos do entretenimento infantil e jovem

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